PADIS Digital Healthcare 2020-2021

A transformação digital na sociedade e no sistema de saúde está em marcha e em marcha acelerada. É uma transformação que, como tudo o que é humano não está pré-determinada. O seu sentido e as suas consequências dependem das nossas opções livres, enquanto pessoas e enquanto sociedade. Poderá vir a ser algo maravilhoso, ou medíocre ou péssimo. Como escrevia Ana Machado, Professora na AESE Business School, num artigo de 2018 sobre inteligência artificial e o futuro do trabalho, “o que é próprio em cada pessoa, mais que a maximização da eficácia é a identificação do sentido”.

Que sentido queremos dar à transformação digital? Quem vai beneficiar da maximização da eficácia que a transformação digital trará ao sector da saúde? Para quem vamos canalizar o valor acrescentado obtido pela transformação digital?
Penso que deverá ser ocasião para um incremento de atenção humanizadora para com os doentes e os seus familiares, uma oportunidade para um cuidado mais especificamente humano nas várias fases da interação dos doentes com o sistema de saúde, um momento para o fortalecimento das condições de trabalho e de desenvolvimento dos profissionais de saúde. Isto permite depois cuidar dos doentes com uma atitude mais humana e personalizada.


José Fonseca Pires
AESE Business School

Muito se tem falado sobre o potencial impacto dos sistemas digitais na prestação de melhores cuidados de saúde. Cuidados de saúde de melhor qualidade, um sistema de saúde mais eficiente e sustentável financeiramente, mais focado na obtenção de bons resultados em saúde e que coloque o cidadão no centro do sistema. Estes são naturalmente objetivos partilhados pela generalidade dos stakeholders da saúde. A inovação digital aplicada ao setor da saúde pode prestar um contributo importante para estes objetivos, ajudando na prestação de cuidados de saúde mais atempados e de melhor qualidade. A inovação digital pode, por exemplo, contribuir para prevenir duplicação de atos médicos e de exames de diagnóstico, facilitar o acesso do utente aos cuidados de saúde que necessita, permitindo, também para que tenha melhores terapêuticas.

Este projeto foca-se na transformação digital na área da saúde em Portugal. Pretendemos identificar as necessidades existentes ao nível da prestação de cuidados de saúde e da cadeia de valor da indústria farmacêutica para as quais a transformação digital pode aportar valor.
O processo de transformação digital será capaz de dar resposta a muitos destes desafios, assim estejam claras as prioridades nacionais que urge dar resposta. Acreditamos que a implementação de soluções digitais aplicadas à saúde será mais bem sucedida quando é conseguido um alinhamento entre aquilo que é a visão e liderança política para a área e o posicionamento dos principais atores da sociedade civil que procuram dar resposta às prioridades definidas. É esse diálogo e esse alinhamento que temos vindo a procurar por meio deste projeto de transformação digital para a saúde.


Paulo Teixeira
Pfizer Portugal

Para aceder às conclusões do Projeto, faça download da brochura aqui >>
Veja também os comentários adicionais ao projeto de:

Luis Goes Pinheiro
SPMS

Miguel Guimarães
Ordem dos Médicos

Hugo Maia
Glintt

Ana Paula Martins
Ordem dos Farmacêuticos

Duarte Santos
Associação Nacional de Farmácias

Sandra Mateus
Microsoft

Alexandre Lourenço
APAH

Tamara Milagre
EVITA

Análise de necessidades e soluções ao longo da cadeia de valor da prestação de cuidados de saúde

Consolidar e integrar a informação clínica dos utentes

Uma forma acessível para introdução de dados e consulta de informação pelos vários profissionais de saúde, independentemente do nível de cuidados e dos prestadores serem públicos ou privados.

  • Criar um Data Lake nacional e integrar no Registo de Saúde Eletrónico as informações de saúde do cidadão, incluindo relatórios clínicos, resultados de exames complementares de diagnóstico, dados gerais de saúde, entre outros
  • Permitir receber dados e consulta de informação por prestadores de saúde, quer públicos, quer privados, com o objetivo de investigação, gestão da saúde populacional e melhoria da prestação de cuidados de saúde.
  • Atribuir um gestor digital do plano de cuidados a cada pessoa, tendo acesso à informação e agindo em complemento ao médico de família. Poderá ter um interface automático (bot) com capacidade de aprendizagem.
  • Assegurar a interoperabilidade das plataformas e dos dados, através de soluções operacionais mas também normativas.
  • Criar um identificador único, através de um número pessoal (que substitui todos os outros: CC; NIF, SNS e NISS), ao qual se agregam todos os dados de saúde, incluindo receitas médicas.
  • Desenvolver e/ou melhorar os planos de cuidados partilhados digitalmente entre profissionais de saúde e utente, para o acompanhamento de doenças crónicas.

Evitar deslocações desnecessárias dos utentes ao hospital

Apostar na hospitalização domiciliária, telemedicina e outros serviços de assistência no domicílio.

  • Desenvolver numa Plataforma Digital de Gestão de Saúde à Distância, que permita o acesso a consultas de forma remota (com vídeo e áudio), possibilitando a assistência/monitorização de outros profissionais, como o farmacêutico comunitário, monitorização remota (com dispositivos), usando a tecnologia de forma segura, de forma integrada com o registo médico eletrónico, permitindo consultar e registar informação sobre o utente, por parte do profissional de saúde.
  • Criar uma Plataforma Digital de Pré-Triagem Avaliador de Sintomas – que permita encaminhar o utente para as urgências (isento de taxa moderadora), agendamento de consulta com o médico de família ou sugestão de encaminhamento à farmácia mais próxima.

Implementar Soluções de Business Inteligence e Inteligência Artificial

O intuito será dar informação em tempo real aos profissionais de saúde sobre informação clinica priorizada e informação agregada aos decisores, auxiliando na tomada de decisão.

  • Disponibilizar soluções de analítica avançada, Inteligência Artificial e machine learning que, com base nos dados recolhidos e algoritmos desenvolvidos, permitam assistir os profissionais a acelerar diagnósticos e identificar as terapêuticas mais adequadas, assim como fazer analises preditivas e desenvolver atividades proativas para prevenção de doença.
  • Disponibilizar ao médico de família alertas automáticos sobre doentes de risco através da aplicação de algoritmos aos dados registados.
    Implementar um sistema de vigilância sindrómica, que faça uso de todos os dados disponíveis, incluindo ferramentas de machine learning e inteligência artificial.

Integrar a informação recolhida pelos doentes em dispositivos e aplicações

Com o objetivo de melhorar a prevenção, o diagnóstico e a gestão da doença (smartphones, smartwatches e IoT) 

  • Integrar as plataformas que congreguam os registos clínicos com os dados fornecidos pelos cidadãos (p.e. medição da pressão arterial, controlo da glicémia, etc…), permitindo um plano de cuidados mais orientado pela necessidade da pessoa e menos padronizado (medicina personalizada).

    Analisar os processos e sistemas atuais

    Para melhorar a experiência dos utilizadores e a desenvolver iniciativas de co-criação com os diferentes stakeholders da saúde, de forma a identificar as diferentes necessidades, com o objetivo de chegar a um conjunto de ações que tenham como ponto comum: a tecnologia como complemento/extensão do trabalho dos clínicos e que lhes acrescente valor.

        Desenvolver ferramentas

        Para a avaliação da adesão à terapêutica e reconciliação de medicação, disponibilizadas numa plataforma de registo de medicação, à semelhança do Boletim de Vacinas, acessível a todos os profissionais, que permita minimizar riscos de incompatibilidade ou sobredosagem.

            Utilizar a tecnologia para libertar os clínicos de burocracias

            Para que possam dedicar mais tempo de qualidade aos doentes.

            • Apostar em ferramentas intuitivas, com recurso a tecnologia como reconhecimento de voz para pesquisa e registo de informação no processo clinico.

                Aumentar a literacia do cidadão

                Para navegar o sistema de saúde, assim como prestar auto-cuidados.

                • Desenvolver aplicações móveis para o cidadão, personalizáveis na informação a disponibilizar, que incluam a informação clínica, resultados de meios complementares de diagnóstico, entre outros; de uma forma adaptada à literacia e conhecimentos do utilizador, e que possam também permitir o auto-registo de dados de saúde.

                      Análise de necessidades e soluções ao longo da cadeia de valor da indústria farmacêutica

                      Notificar efeitos terapêuticos e reações adversas em tempo real

                      Para uma eventual correção terapêutica, mas também como repositório para efeitos de medicina personalizada e farmacovigilância.

                      • Melhorar o software de prescrição eletrónica já existente, de forma a analisar registos clínicos do utente (dados de saúde, medicamentos, etc.) e cruzar informações sobre os vários medicamentos, com o objetivo de apoiar a prescrição (Criação de um algoritmo de IA para alertar sobre interações medicamentosas na Prescrição Eletrónica Médica e permitir gerir planos terapêuticos, renovação automática da terapêutica e troca de mensagens com o farmacêutico.

                      Maximizar os Ensaios clínicos

                      Nomeadamente através de uma base de dados alargada que acelere o processo de identificação, gestão e recrutamento de doentes e unidades de investigação e aumentar a qualidade e precisão dos resultados.

                      • Desenvolver uma plataforma centralizada com todos os dados utilizados ao longo do ensaio clínico – desde o registo de voluntários para recrutamento, até ao registo de conclusões. Monitorização de tempos de submissões às instituições, aplicando analítica para melhoria do processo.
                      • Estabelecer regras para plataformas Digitais de Ensaios Clínicos, com base em standards internacionais, para garantir a uniformização dos processos de recrutamento, angariação, gestão, submissão e partilha de informação.
                      • Utilizar machine learning e analítica para identificar doentes que encaixem no perfil pretendido para o ensaio clinico, partindo de dados anonimizados dos pacientes constantes dos sistemas clínicos ou num repositório de dados centralizado a construir.
                      • Crowdsourcing de voluntários para ensaios clínicos, nomeadamente com recurso a plataformas tecnológicas privadas.

                      Antecipar a procura de determinado fármaco

                      De modo a planear a sua distribuição e evitar ruturas de stock, (nomeadamente através da utilização de Big Data) para produzir modelos preditivos de clusters populacionais de doença, fazendo de seguida a adequada gestão dos stocks medicamentosos.

                      • Desenvolver plataformas que congreguem múltiplos indicadores de saúde, populacionais, ambientais,
                        de atitudes e comportamentos, entre outros, que permitam estabelecer modelos preditivos de clusters de doenças, com consequente previsão da procura e otimização dos stocks.
                      • Monitorizar em tempo real da cadeia de abastecimento de medicamentos, anaisar o mercado e utilizar analítica para previsão da procura (Demand Forecasting).
                      • Utilizar analitica avançada para gerir e integrar o crescente volume de dados gerados em todas as fases da cadeia de valor, desde a descoberta à utilização de determinado fármaco após autorização de comercialização.

                        Desenvolver uma Estratégia nacional para a Investigação Clinica

                        Para demonstrar o valor dos ensaios clínicos para o tratamento de doentes; valor económico para os hospitais; alocação de tempo para os profissionais se dedicarem à investigação clinica; incentivos para o maior desenvolvimento de ensaios clínicos, tornando Portugal mais competitivo, atraindo maior investimento por parte das multinacionais e Incrementar o número de centros de referência em ensaios de medicamentos em Portugal.

                        • Criar um datawarehouse central que recolha informação de todos os pacientes e assegure a correta utilização (Governance, segurança, anonimização,etc) por parte dos intervenientes: Hospitais; Médicos; Industria Farmacêutica e Centros de Investigação.
                        • Disponibilizar uma plataforma/portal para promover a informação sobre os ensaios clínicos junto dos profissionais de saúde, nomeadamente sobre os ensaios existentes, processo de adesão, benefícios, alertas sobre o perfil de doentes pretendido, etc.
                        • Reforçar os Centros Académicos Clínicos/ Investigação, apoiando a interação com a indústria farmacêutica na realização de ensaios clínicos, promovendo processos transparentes, e garantindo um quadro regulatório equilibrado e menos limitativo.
                        • Melhorar a plataforma de pesquisa RNEC (Registo Nacional de Ensaios Clínicos), tornando essa pesquisa mais “amigável”/simples e divulgar essa ferramenta à população, que assim poderia proactivamente abordar o tema com o seu médico.

                          Monitorizar a adesão à terapêutica

                          Incluindo o auto-reporte e criação de sistemas tecnológicos que permitam o controlo e a promoção da gestão individual da terapêutica,incluindo: recolha facilitada de reações adversas, consulta de planos terapêuticos, medicamentos comprados, ou condições específicas de toma; partilha desta informação com os profissionais de saúde auxiliando a reconciliação terapêutica.

                          • Desenvolver plataformas que monitorizem e facilitem a adesão terapêutica, quer através de sistemas de auto-reporte, quer através de outros métodos (alarmes, gamificação, notificação alargada à família, etc…), e onde o doente possa tb reportar eventuais efeitos adversos e resultados em saúde.

                              Avaliar o custo-efetividade dos medicamentos propostos

                              Para a negociação de comparticipação pela entidade reguladora (Infarmed), nomeadamente através da introdução de metodologias de value based healthcare por forma a demonstrar a efetividade das novas tecnologias de saúde, implementando processos de partilha de risco e acelerando o acesso à inovação.

                              • Apps que permitam recolha de Patient Reported Outcomes, com base em desenhos de estudos de efetividade aprovados que incluam escalas de qualidade de vida/ funcionalidade.
                              • Smart devices e apps para que o paciente envolvido num ensaio possa fornecer informação e reportar eventos.
                              • Adoção de ferramentas de “escuta ativa” na Web e redes sociais para efeitos de farmacovigilância (comentários, informação partilhada, etc.).
                              • Para isso é necessário que os hospitais tenham as condições de avaliação destas tecnologias, o que atualmente não existe.

                                    Metodologia

                                    Concepção e Operacionalização

                                    A concepção e a operacionalização deste trabalho, ao longo de todo o processo, esteve sobre a orientação e coordenação do Prof. Rui Mesquita da AESE Business School, sempre em diálogo com a Dr. Susana Marques, Directora Médica da PFIZER.

                                        Focus Group e Debates

                                        2 Focus Group

                                        • Análise das necessidades e soluções digitais ao longo da cadeia de valor da prestação de cuidados de saúde
                                        • Análise das necessidades e soluções digitais ao longo da cadeia de valor da indústria farmacêutica

                                        2 Debates

                                        • Apresentação das conclusões de ambos os focus group e debate com Ordens Profissionais, Associações Profissionais, Associação de Doentes, INFARMED e SPM
                                        • Debate de estratégia de saúde digital da SPMS e Soluções de outras empresas de tecnologia para o setor da saúde

                                            Metodologia dos Focus Group

                                            • Focus Group com geração espontânea de ideias pelos vários participantes.
                                            • Apresentação, debate e clarificação de ideias.
                                            • Utilização de plataforma digital para:
                                              • Descrição de ideias;
                                              • Otimização de ideias através de processo que permite edição parcial das ideias pelos vários participantes, assim como votação por todos da nova redação comparativamente às anteriores;
                                              • Ordenação de ideias através de votação em que os vários participantes comparam ideias duas a duas;
                                              • O número total de ideias, total de votos e total de edições são determinados automaticamente pelo algoritmo da plataforma e dependem do número de participantes no focus group.
                                            • Após a votação, as ideias foram analisadas em dois grandes grupos: necessidades e soluções;
                                            •  Em ambos os grupos as ideias foram consolidadas tendo em conta a sua semelhança.

                                              Participantes nos Focus Group

                                              • Amadeu Guimarães, SPMS, EPE
                                              • Hugo Maia,Glintt
                                              • João Madeira, Ass. Nac. Estudantes Medicina
                                              • João Oliveira, SPMS, EPE
                                              • João Penedo, Ass. Port. Estudantes Farmácia
                                              • Joaquim Oliveira, Deloitte
                                              • Jorge Penedo, CHU Lisboa Central
                                              • José Bento, Lusíadas Saúde
                                              • Nuno Ribeiro, Fabernovel
                                              • Nuno Santos, Oracle
                                              • Paulo Teixeira, Pfizer
                                              • Rafael Franco, SPMS, EPE
                                              • Ricardo Mexia,Ass. Nac. Médicos Saúde Pública
                                              • Rita Perez, C. Hospitalar Lisboa Ocidental
                                              • Rosália Rodrigues, Microsoft
                                              • Sofia Bispo, IBM
                                              • Susana Marques, Pfizer

                                              Participantes nos Debates

                                              • Alexandre Lourenço, Assoc. Port. de Administradores Hospitalares
                                              • Ana Paula Martins, Ordem dos Farmacêuticos
                                              • Duarte Santos, Assoc. Nacional de Farmácias
                                              • Hugo Maia, Glintt
                                              • Luís Goes Pinheiro, SPMS
                                              • Miguel Guimarães, Ordem dos Médicos
                                              • Paulo Rodrigues da Silva, IBM
                                              • Rui Santos Ivo, INFARMED
                                              • Sandra Mateus, Microsoft
                                              • Tamara Milagre, EVITA

                                              Mais informações

                                              Paula Ribeiro
                                              paularibeiro@aese.pt
                                              (+351) 930 444 986

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