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De ‘gelados indulgentes com menos culpa’ a um negócio de sucesso
25/08/2025
Tiago Rebelo, cofundador da marca Swee, foi convidado pela AESE para lançar um desafio aos participantes no AESE Summer School de 2025. A projeção da Swee no mercado alimentar tem se destacado de forma extraordinária pela proposta inovadora de gelados, com um valor nutricional mais equilibrado, combinando mais sabor e menos açúcar.
A história de empreendedorismo de Tiago Rebelo foi inspiradora. Os participantes do programa da AESE aceitaram o desafio lançado pelo próprio de desenhar o futuro a curto prazo da empresa, após enquadrar a oportunidade de criação do negócio, em plena pandemia. A resiliência e a visão dos promotores foram fatores determinantes para responder a uma necessidade que identificaram no mercado, apostando numa solução orientada para consumidores mais atentos à alimentação saudável.
O que o inspirou a criar a Swee e que lacuna procurava preencher no mercado?
TR: ‘Lançámos a Swee para o mercado em 2021, durante a pandemia, após a nossa primeira empresa de eventos ter falhado, dado o panorama que na altura vivíamos. Sem data limite à vista para nos ser devolvida a normalidade do dia-a-dia e enquanto dois entusiastas do estilo de vida saudável, procurámos intensamente por um novo negócio, visto que fechar portas não ser uma opção para nós. Desconfiávamos que os supermercados não iriam fechar portas e que, com um sedentarismo generalizado na população, a preocupação por um estilo de vida mais saudável fosse também ganhando expressão. E foi assim que percebemos que talvez fosse uma boa ideia entrar para o mundo do retalho alimentar. Sempre vimos no gelado uma conexão emocional muito forte com os consumidores, por ser importante nas vitórias, mas também essencial nas derrotas, e acreditámos que podíamos acrescentar valor nesse sentido: oferecendo gelados indulgentes mas com menos culpa, reduzindo as calorias, gorduras e açúcares.’
Quais a principais lições que aprendeu como jovem empreendedor? Há um momento certo para empreender ou o segredo passa por criá-lo?
TR: ‘Apesar de ser novo, acredito que em todos os estágios da vida existirão barreiras à escolha por uma vertente mais empreendedora que está muitas vezes – e bem – associada a alguma incerteza sobre o nosso sucesso. Quando somos novos é porque não temos experiência que fará falta e poderá desencorajar; e, quando crescemos, vamos também adquirindo responsabilidades que talvez não serão muito convidativas a entrar neste mundo. Não havendo um timing certo, acredito que devemos confiar na nossa intuição e se esta nos empurra para este mundo, então acredito que devemos dar-lhe uma chance. Existem ainda mais fatores que não controlamos versus os que controlamos, mas as boas notícias são que, de facto, temos a capacidade de criar os momentos para empreender, promovendo valores como a consistência, o compromisso e a resiliência.’
Como foi participar como orador numa formação como o AESE Summer School? Qual o principal desafio que pretendeu lançar aos participantes do programa da AESE?
TR: ‘Foi a primeira vez que fui desafiado a fazer algo deste género e faço um balanço muito positivo. Fui muito bem recebido e rapidamente apercebi-me que estava rodeado de jovens capazes e com vontade e que, portanto, talvez saísse mais eu a ganhar da oportunidade do que as mensagens que procurei passar.
A Swee é uma marca que vive muito no supermercado – é historicamente o nosso único canal de venda – e temos sentido um bichinho dentro de nós que nos tem puxado para entrarmos noutros canais com mais robustez, nomeadamente o das gasolineiras e o canal HORECA. Vi que este convite apresentava a oportunidade perfeita para questionar os alunos acerca disso mesmo: em que moldes é que a Swee poderia entrar no canal HORECA, sabendo dos desafios comerciais e da logística. Saí de lá com muitas visões e ideias novas, e o entusiasmo dos alunos foi também ele contagiante e tenho procurado trazê-lo para dentro da Swee nas últimas semanas.’
Quais os fatores críticos de sucesso para quem quer lançar uma startup?
TR: ‘Acredito que o compromisso, a consistência e a resiliência são fundamenteis para se lançar uma Startup. Para além disso, acrescentaria ainda duas coisas: conhecer bem os drivers do negócio em que se está a entrar ( o que é que os consumidores andam verdadeiramente à procura ou qual é a dor que esta franja de pessoas partilha) e, talvez tão ou mais importante, rodearmo-nos das pessoas certas tanto na equipa, como sobretudo nos stakeholders do negócio (fornecedores, clientes, investidores, etc..). Acredito que estando rodeados de pessoas que acreditam no nosso projeto e que nos querem também ver vencer é meio caminho andado não só para se fazer progresso, como também para sentirmos que esta viagem é menos solitária.’
Pensar como um empreendedor, ainda que não o venha a ser, é um fator diferenciador para quem inicia a sua carreira profissional? Se sim, porquê?
TR: ‘Sim, acredito que seja diferenciador. Um espirito empreendedor procura criar de alguma forma desequilíbrio ou disrupção na forma como as coisas são feitas ou vistas até à data, recorrendo a ferramentas como o pensamento criativo/crítico e, igualmente importante, sonhando com um mundo melhor se conseguíssemos alterar certas premissas. Estas skills aliadas a uma vontade de vencer, insistindo na implementação ou consideração das suas ideias, pode ter um papel muito poderoso a médio- longo prazo.’
Quais as vantagens de participar num programa como o AESE Summer School da AESE?
TR: ‘Acredito que um dos maiores desafios dos estudantes passa por conseguir compreender efetivamente o dia-a-dia do trabalho e como pôr em prática as skills/teoria que vão aprendendo nas instituições. Participar num programa de Verão como o da AESE – com o método de ensino que também utiliza – é vencedor porque traz problemas e desafios reais e coloca os alunos nos pés dos gestores, de uma forma mais orientada e focada. Para além disso, acredito que é também uma excelente oportunidade de conhecer colegas da mesma idade com os mesmos interesses e ambições, criando este sentido de comunidade que poderá durar largos anos.’
A sua participação de Tiago Rebelo na edição do AESE Summer School, em 2025, foi marcada por uma forte interação com os alunos, deixando uma mensagem clara sobre o valor do espírito empreendedor e do networking. A próxima edição do programa, sob a direção de Lúcia Vasco e Rodrigo Melo (na fotografia, à esquerda do orador) realizar-se-á em 2026.
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