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A Ética e a boa governação não se compadecem com ângulos cegos

20/07/2021

A Integridade e a boa governação não são um tema novo e, pela natureza humana, é um debate que se mantem sempre atual. O Prof. Pedro Água, Professor de Política de Empresa da AESE, especialista em ética, foi o convidado na última sessão do Alumni Learning Program da AESE, no ano letivo 2020-2021, para explicar as implicações de um comportamento governativo irrepreensível. A sessão sobre “Integridade e Bom Governo das Organizações”, aconteceu remotamente, no dia 20 de julho de 2021.


A sessão começou com a enumeração de alguns casos que, desde o século XVI aos dias de hoje, põem em causa a condução exemplar de um líder. A gestão e a administração de uma empresa pressupõem a responsabilidade de fomentar a prudência face aos riscos. As auditorias e as regras de compliance têm-se tornado mais vulgares, todavia não são suficientes para combater exemplos de reengenharia financeira e fraude.


Pedro Água refletiu sobre o facto da cultura nacional poder propiciar o mau governo nas organizações. Na verdade, os comportamentos fraudulentos acontecem em resposta a: pressões (derivadas do êxito crescimento da organização e da diversidade do negócio), oportunidades (falta de bom governo, cultura e poder vigente, facilidade promovida pela banca) e racionais (tolerância social e processos de pensamento interno coniventes com a falta de ética).


Ter políticas formais, valores partilhados, uma cultura positiva e hábitos éticos das pessoas na organização são fatores fundamentais para evitar “ângulos cegos”, no respeito pela integridade na direção das empresas.


O Professor debruçou-se sobre a abrangência das competências do governo corporativo e da gestão executiva, de forma a que os líderes possam implementar boas práticas de governo. Destacou 7 pontos a observar:

  1. Existência de um equilíbrio entre administradores executivos e não executivos
  2. Existência de uma clara divisão de responsabilidades entre o presidente do Conselho de Administração e o Diretor Geral Executivo
  3. Transmissão de informação oportuna e de qualidade ao Conselho de Administração
  4. Existência de procedimentos formais e transparentes para a nomeação de novos membros do Conselho de Administração
  5. Existência de informação financeira equilibrada e compreensível
  6. Manutenção de um robusto sistema de controlo interno
  7. Existência de um número adequado de administradores independentes.


Atualmente, a gestão de risco implica em muitos casos o reporte à administração, dada a relevância do tema na agenda dos líderes, comprometidos com a sustentabilidade, a rentabilidade e a reputação das organizações, através dos seus negócios.


Pegando numa metáfora da Marinha, Pedro Água aconselhou a “vigiar e cuidar bem da “bússola moral”, para não se ficar vulnerável ao atravessar “águas traiçoeiras”. É essencial não perder o “Norte Moral e Ético” e alimentar a prudência.


Após a conferência, iniciou-se um período de perguntas e respostas, no qual os Alumni puderam esclarecer as suas dúvidas com o Professor.