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AESE insight #135 > Thinking ahead

Artigos

Gonçalo Santos Andrade

Diretor do Programa GAIN | Direção de Empresas da Cadeia Agroalimentar

Água, Mercosul e mais ambição: o futuro do agroalimentar português decide- se agora

O setor agroalimentar português é uma história de sucesso. Em 2024, de acordo com a análise do GPP, o setor exportou 10 mil milhões de euros, o que corresponde a 13% do valor total das exportações de bens de toda a economia nacional.

Só no setor das frutas, legumes e flores – que já exporta 2,5 mil milhões – triplicámos as exportações em pouco mais de uma década, ganhámos reconhecimento nos mercados mais exigentes, apostámos em certificação, inovação, digitalização, robotização e rastreabilidade.

A Agricultura está a mudar o presente e pode moldar o futuro de Portugal. Mas para isso é preciso ambição. Primeiro, na gestão dos recursos hídricos. Depois, nos acordos comerciais estratégicos, como o Mercosul, que muito podem contribuir para diversificar mercados e valorizar os nossos produtos.

Comecemos pelos recursos hídricos. Sem água não há produção, não há alimentos, não há coesão territorial. E não haverá sustentabilidade para um setor que já provou ser competitivo, resiliente e estratégico. Em 3,7 milhões de hectares agrícolas, apenas 15% têm regadio. Isto é inaceitável num país com condições de clima de excelência e com produtos de elevada qualidade e segurança, reconhecidos em toda a Europa. Na Andaluzia, por exemplo, onde existem 3,6 milhões de hectares agrícolas, há 1 milhão de hectares de área regada.

A estratégia Água que Une, apresentada em março de 2025, não pode ser mais um projeto com um nome bonito. Tem de ser um projeto de interesse nacional e liderado pelo próprio primeiro-ministro. Promete 5 mil milhões de euros até 2030, mas estão por conhecer as datas concretas para este investimento. Sem barragens, charcas, reservatórios e sistemas modernos de distribuição, não há milagres. Os agricultores já produzem mais, utilizando menos água, usam sensores, tecnologias de precisão e novas variedades mais resistentes. Mas sem modernização das infraestruturas, as perdas de água são cada vez mais elevadas (antes mesmo de chegarem aos agricultores) e não há inovação que trave este problema, com tão grande impacto para o ambiente e a economia. Corremos o sério risco de perder competitividade e ficar dependentes de importações. Comprometemos, assim, a segurança alimentar, a sustentabilidade e o equilíbrio do território.

O ponto seguinte que gostaria de abordar é relativo aos Acordos Comerciais, nomeadamente, o Mercosul. A segurança alimentar está em risco em toda a União Europeia. Embora seja o líder mundial das exportações neste setor, a verdade é que, nos últimos anos, as importações têm vindo a crescer a um ritmo muito superior.

Em 2024, a UE exportou 233 mil milhões de euros, ficando à frente dos Estados Unidos (com 168 mil milhões de euros) e do Brasil (com 133 mil milhões de euros). A China, com 77 mil milhões de euros de exportações, e o Canadá, com 63 mil milhões de euros, fecham o top 5. Nas importações, a UE ocupou o terceiro lugar das geografias que mais compram produtos alimentares nos mercados externos, com 171 mil milhões de euros em 2024, atrás da China com 182 mil milhões de euros, e do líder das importações mundiais, os EUA, com 194 mil milhões de euros. O Reino Unido com 78 mil milhões de euros e o Japão, com 58 mil milhões de euros, fecham o top 5.
Em suma, em 2024 as exportações da UE cresceram 3% face a 2023 e as importações cresceram 8%, o que reforça a preocupação com a nossa segurança alimentar.

Estes números representam as trocas comerciais do agroalimentar entre os vários blocos geográficos a nível mundial, e evidenciam a necessidade da União Europeia em conseguir acordos robustos para aumentar e diversificar as suas exportações. O Acordo de Comércio entre a União Europeia e os países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) é uma oportunidade globalmente positiva para o agroalimentar da UE, já que possibilita o acesso a um mercado de 270 milhões de consumidores. Na minha opinião, também é uma oportunidade muito positiva para o agroalimentar nacional.

As salvaguardas previstas no acordo sobre as importações para a UE defendem os sub-sectores que, à partida, são mais vulneráveis. Há, agora, que exigir o cumprimento e fiscalização das regras incluídas no acordo. O Brasil, pela nossa história, pelo conhecimento dos consumidores brasileiros de alguns produtos que já exportamos e pela facilidade da língua, é o mercado de maior potencial para os produtos portugueses. No entanto, importa também olhar para a Argentina, o Paraguai e o Uruguai de forma a atingir os 270 milhões de consumidores que este acordo nos trás, em vez de apenas 210 milhões. O azeite, os vinhos, os queijos, as frutas, entre outros, poderão ter uma enorme oportunidade de acesso sem tarifas a um mercado de elevado potencial.

A decisão do Parlamento Europeu de remeter o acordo UE-Mercosul ao Tribunal de Justiça da UE é um sinal errado para um mercado mais aberto e global e principalmente para os nossos parceiros sul-americanos.

Desde Setembro, tenho participado em várias feiras internacionais, missões empresariais e missões de prospecção. Passei por Hong Kong, Dubai, Berlim, Madrid e São Paulo – onde acompanhei a missão comercial da UE ao Mercosul liderada pelo Comissário Europeu para a Agricultura e Desenvolvimento Rural. Estive ainda em Barcelona onde realizei uma formação no IESE Business School, e em Budapeste. Em todos estes locais visitei mercados e supermercados e pude observar e sentir que os consumidores estão cada vez mais exigentes e informados. O crescimento mundial dos consumidores (já ultrapassam os 8,2 mil milhões, serão 8,5 mil milhões em 2027 e, em 2037, atingirão os 9 mil milhões), regista-se em blocos geográficos fora da Europa, principalmente, na Ásia e em África.

Temos um setor que cria emprego, promove a biodiversidade, protege o interior, contribui para a balança comercial e tem margem para crescer muito mais. Mas é preciso visão estratégica. Apostar na água. Aumentar a escala através da organização da produção. Abrir novos mercados com uma diplomacia económica eficaz. Acima de tudo, agir. Porque Portugal pode ser uma potência agroalimentar na União Europeia.


Gonçalo Santos Andrade Diretor do GAIN – Direção de Empresas da Cadeia Agroalimentar na AESE Business School Vice-Presidente da CAP – Confederação dos Agricultores de Portugal
Presidente da Portugal Fresh – Associação para a Promoção das Frutas, Legumes e Flores de Portugal
Administrador Executivo da Lusomorango, S.A. – Organização de Produtores de Pequenos frutos

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