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Alexandre Portugal

Alexandre Portugal, Administrador da COBA

Alumnus do PADE

“O dirigente e a pessoa são indistinguíveis”. Quem o diz é Alexandre Portugal, que ao fazer o PADE – Programa de Alta Direção de Empresas, “assentou e arrumou” conceitos e procedimentos na sua vida como gestor. Responsável pela coordenação de uma parte relevante da construção da Ponte Vasco da Gama, o Administrador da COBA destaca a definição de pioridades e o sentido de humor como fatores fundamentais na sua vida, pautada por valores como a lealdade, compromisso, ambição e confiança.


Quais os principais marcos na sua trajetória profissional, que contribuíram para chegar à posição de Administrador da COBA?
Referiria três momentos fundamentais.

O primeiro, a formação em engenharia civil no Técnico. Escola de referência, dura e exigente, que transmite conhecimento, mas que sobretudo cria bases de formação e resiliência, que permitem abordar qualquer problema ao longo da vida.

O segundo momento, aos trinta anos, foi a decisão de abandonar uma carreira pública na investigação científica para assumir o desafio duma carreira no setor privado. É um momento fundador no sentido em que, pelo menos a nível da minha perceção na altura, se trocava segurança e previsibilidade por risco e incerteza. Provavelmente a decisão mais importante da minha vida profissional.

Há um terceiro momento marcante, esse já na COBA, que é o projeto da Ponte Vasco da Gama em que, por razões imprevistas, sou convidado a assumir a coordenação de uma parte relevante do projeto substituindo um colega muito mais velho e experiente. É um momento decisivo porque o desafio era enorme, quer pela minha idade – 32 anos – quer pela complexidade do projeto, quer pelo ambiente multinacional em que o mesmo se desenvolvia.

Se os dois primeiros momentos foram decisões planeadas já o terceiro foi um momento de oportunidade. Se há alguma conclusão que se pode retirar é que na vida profissional há que estar preparado para as oportunidades que se nos possam vir a colocar. Estar preparado é saber reconhecer as oportunidades e ter as capacidades necessárias para as enfrentar, mas também não ter medo e saber que se cresce com esses desafios.


Quais foram as suas principais conquistas?

Mais do que as contribuições especificas em diversas áreas para o desenvolvimento da empresa – novas áreas de atividade, angariação de grandes contratos, organização e métodos, desenvolvimento internacional, etc. – julgo que uma das principais conquistas será o reconhecimento pelos meus pares na empresa. Foi um caminho feito de trabalho em equipa, ombro a ombro, projeto a projeto, em que nos fomos superando ao longo do tempo e em que a progressão individual surge como consequência natural desse caminho percorrido em comum.

O conhecimento profundo do negócio e do setor é também um ativo importante e que permite perceber a importância de manter as pessoas no centro das preocupações. Na COBA, as pessoas são o alfa e o ómega. Numa empresa de engenharia, muito para além de executarem o serviço propriamente dito, as pessoas corporizam uma parte crítica do conhecimento que é difícil reunir e consolidar em sistemas ou processos.

Talvez, dum ponto de vista estritamente individual, a maior conquista tenha sido a capacidade de manter equilíbrio entre a vida profissional e familiar. Naturalmente que se pode encarar este tema na perspetiva inversa: um adequado equilíbrio entre família e trabalho é uma base imprescindível para o sucesso profissional, sendo este a conquista que decorre daquele …


Quais as principais lições que o tornam no dirigente que é hoje?

Mais do que lições julgo que há algumas linhas orientadoras relativamente simples que se podem referir. O dirigente e a pessoa são indistinguíveis. São as características individuais, mais ou menos inatas ou desenvolvidas, de caráter e capacidade do indivíduo que o determinam como dirigente. Nesse sentido os valores do dirigente são determinantes na ação diretiva e deve ser sobre eles que esta se alicerça.

As bases do meu trabalho são pois os valores recebidos familiar e profissionalmente ao longo da vida. Naturalmente que o exemplo de líderes com que trabalhei ou interagi tiveram impacto importante.

A este propósito não posso deixar de referir o impacto que sobre mim teve o PADE da AESE. Foi um momento importante que me permitiu parar e refletir sobre temas estruturantes da minha atividade profissional e que me permitiu “assentar e arrumar” conceitos, práticas e abordagens diversas e de grande relevância na minha vida como gestor.

Num registo talvez mais direto mas muito relevante, e recordando também o nosso saudoso Professor Luís Manuel Calleja  deixava três notas: os problemas resolvem-se por rigorosa … ordem de chegada, nada é tão mau como parece nem tão bom como se deseja e é importante  manter o sentido de humor em todas as circunstâncias.


Quais os valores pelos quais se rege e que transmite às suas equipas?

Diria que os valores fundamentais que em que procuro basear a minha vida são: a Lealdade, a Honestidade, o Compromisso e a Ambição, tudo na tentativa de sobre eles construir o mais importante:  a Confiança.

A Lealdade é o valor fundamental porque garante segurança, estabilidade e previsibilidade às equipas, num ambiente de exigência e responsabilidade. A Honestidade, que pode ser aqui interpretada num sentido mais lato abraçando temas como seriedade e honradez, é o cimento das relações entre pessoas de bem movidas pelo interesse no bem comum. O Compromisso é o que permite que juntos e em equipa façamos mais do que faríamos pela estrita soma dos contributos individuais. A Ambição, que também poderia referir como a Visão, é o que nos permite crescer e sermos maiores do que nós e até do que admitimos ser.

Uma liderança motivada e com valores sólidos gera nas suas pessoas Confiança e é sobre a ela que se constroem as empresas.


Se pudesse recuar no tempo, o que faria diferente?

Teria feito formação em gestão mais cedo. Na realidade só tardiamente, já em posições de administração, frequentei o programa da AESE. Penso que teria beneficiado muito se tivesse feito alguma formação na fase inicial de assunção de responsabilidades diretivas. Penso que sobretudo para quem vem das áreas de engenharia a formação em gestão é uma necessidade estrita.

Teria sido melhor ouvinte em alguns momentos chave em que nem sempre, talvez também pela natureza do meu caráter, não ouvi ou retive com o cuidado necessário mensagens importantes. Saber ouvir é uma característica fundamental do dirigente.


Profissionalmente, como se vê daqui a 5 anos?

A velocidade a que o mundo em que vivemos evolui torna muito arriscada qualquer tentativa de prognóstico. De todo o modo, o que julgo poder antecipar com alguma segurança é que estarei certamente ativo, a partilhar com equipas mais jovens o conhecimento e experiência que acumulei.

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