As lições de liderança do vice-almirante Gouveia e Melo ao Executive MBA da AESE

25/09/2021

Dia 25 de setembro foi um dia de festa!


O 19.º Executive MBA AESE alcançou a meta e recebeu o tão almejado diploma. O início da celebração desta data começou com uma missa, à qual se seguiu a sessão no auditório, cuja abertura ficou a cargo do Prof. Rafael Franco, Diretor do Programa.


O vice-almirante Henrique de Gouveia e Melo foi o convidado da AESE para proferir a oração de sapiência. O Coordenador Nacional da ‘Task Force’ para o Plano de Vacinação contra a covid-19, distinguido pelo Presidente da República, versou sobre Liderança ao grupo dos diplomados.


Segundo o Prof. Rafael Franco, Diretor Executivo do Executive MBA AESE: “O vice-almirante Gouveia e Melo é um exemplo para gestores e executivos demonstrando que é possível gerir situações de crise com objetividade, imparcialidade e rigor, transformando climas de medo e ansiedade em contextos de confiança e serenidade. A pandemia e o confinamento colocaram grandes desafios ao 19.º Executive MBA AESE, tendo os participantes sabido enfrentar todas as dificuldades com espírito positivo, adaptabilidade e resiliência.  A AESE Business School felicita e agradece aos participantes e ao orador todo o empenho, dedicação e profissionalismo no desempenho das suas funções ao serviço das empresas, das organizações e da sociedade.”


Liderar em contexto de emergência
Ao receber esta missão, o vice-almirante Gouveia e Melo começou por concetualizar o problema: tinha em mãos uma situação complexa pela urgência e pelo volume massivo de pessoas a vacinar em todo o País, com 2 doses de vacina. Como responsável investiu “em melhorar a governança e a resiliência da própria cadeia de gestão”. A segunda linha de ação foi no sentido de “aumentar francamente a capacidade de vacinação, externalizando para pavilhões e para centros de vacinação que pudessem vacinar para de 500 pessoas a 3000 pessoas.” O vice-almirante reconhece ter visto “a união dos esforços à volta de uma emergência nacional”, por parte do Serviço Nacional de Saúde e dos autarcas: “Montámos cerca de 303 centros no território nacional”, o que “permitiu vacinar a um ritmo médio cerca de 100 mil pessoas por dia”.


“A responsabilização dos atores” foi o terceiro pilar da atuação do líder, para por termo ao ruído e às ineficiências do processo: “quando havia qualquer problema interno eu perseguia até à exaustão essa questão para que as pessoas se responsabilizassem, porque a desresponsabilização da estrutura leva a falhas” na cadeia de ação.


O vice-almirante Henrique de Gouveia e Melo teve em atenção a Comunicação como o quarto aspeto da sua liderança: “comunicar, moldando o ambiente”, ao invés de ser “o resultado de interesses exteriores”. “ Se a história for contada de forma direta, simples e verdadeira, as pessoas ficarão do nosso lado naturalmente. Foi isso que aconteceu.”


Gouveia e Melo considera que a “discussão académica” dos cidadãos prioritários para vacinação estava a contaminar o sistema. Sobre esse tema, o orador identificou como grandes objetivos: salvar vidas das pessoas que estavam em risco iminente por idade e por razões de saúde e garantir a resiliência do estado na resposta à pandemia para libertar a população do vírus.


Gouveia e Melo optou por um sistema de governança que lhe permitiu fazer um planeamento estratégico de médio-longo prazo, apresentado semanalmente ao Governo, e executado, após a aprovação. “Se não controlarmos através dos indicadores bem escolhidos, o processo escapa-nos das mãos. Eu usei uma técnica militar muito simples: observar, orientar, decidir e agir” em looping, o que tem demonstrado ser uma estratégia ganhadora.


Fatores de sucesso no combate à covid-19
O responsável pela ‘Task Force’ para o Plano de Vacinação contra a covid-19 considera que os fatores de sucesso da operação, prendeu-se com uma Liderança Consentida. E fez notar que a intervenção de uma estrutura militar no Ministério de Saúde, poderia ter gerado reatividade, caso assim não fosse. Este modelo de liderança consiste no facto de “quem é liderado encontra na liderança uma utilidade”. A vantagem trazida ao projeto possibilitou que a liderança fosse aceite sem reservas. A comunicação foi utilizada como uma arma, “não deixando vazios”, estando Gouveia e Melo permanentemente disponível para esclarecer sobre o ponto de situação e os próximos passos a empreender. A organização foi essencial. Foi necessário trabalhar com “as ordens profissionais para trazê-las para o processo”. O vice-almirante considera que “as metas propostas foram todas alcançadas” e mostra-se otimista quanto à imunidade de grupo.


O Coordenador Nacional da ‘Task Force’ partilhou os desafios maiores encontrados e a resolução do problema com foco, uma cultura de ação e de organização, disciplina e a mobilização anímica com a proximidade e o exemplo. “Deixámos um legado de confiança, exigência – primeiro connosco e depois com os outros – e o papel das Forças Armadas que pode ser útil em momentos de crise.” E concluiu antevendo para breve o “fim da guerra”.


A missão dos Alumni AESE
Diogo Lopes, nomeado pelos pares Presidente do 19.º Executive MBA AESE, falou em nome dos colegas sobre o “caminho desafiante”, vivido com resiliência, especialmente em período pandémico. Dirigindo-se aos colegas de programa. Diogo Lopes sublinhou que “o futuro vai precisar que consigamos manter esta forte ligação que desenvolvemos entre todos. Está dentro de cada um de nós.” “Vamos acabar este Executive MBA com algum cansaço, mas com muito alegria e energia, sabendo que o que aí vem será certamente melhor do que o que ficou para trás.”


Manuela Silva, representante do Agrupamento de Alumni da AESE, refletiu sobre a continuidade da relação dos finalistas com a AESE e o apoio que o Agrupamento oferece ao acompanhar o percurso profissional dos participantes ao longo da sua carreira.


O Presidente da AESE, Prof. José Ramalho Fontes, felicitou os diplomados por terem enriquecido a Escola com o seu trabalho. “esta experiência prepara-nos para gerir a única constante da próxima década: a nova normalidade vai ser a mudança contínua. E a sobriedade também”, que hoje se designa por “economia circular”. “A afetação das potencias dominantes, o centro geográfico e de poder da atividade económica, o controlo dos recursos escassos estratégicos, os fluxos de produtos, de capital e de talento são realidades que estão a reconfigurar-se.”


“Nós de facto na Europa estamos a viver um momento muito especial. Nós podemos interferir nestas mudanças ou simplesmente temos de sofrê-las? A partir da vossa posição nas empresas e na sociedade poderíamos pensar que estes âmbitos nos ultrapassam. Mas muitos cidadãos sabem estabelecer metas magnanimas nos desejos e adaptadas à realidade.” “Temos de nos convencer que cada um de nós temos capacidade para chegar a mais, a bastante mais do que pensamos.” O Professor apelou também “à humildade e disponibilidade para aprender com os outros, com os nossos erros” e a recuperar, com consistência dos “valores que nos orientam”. Há que ter “confiança em nós próprios”, pois estão “bem preparados”, ter “exigência” e “olhar para o futuro”.



Os diplomas foram entregues de seguida sob os aplausos de todos.