Como evitar o custo elevado das fusões e aquisições às empresas?

09/12/2020

O Agrupamento de Alumni da AESE recebeu Nuno Fernandes, Professor Catedrático de Finanças no IESE Business School, em Espanha, para tratar o tema “The Value Killers: How Mergers and Acquisitions Cost Companies Billions—And How to Prevent It”.


A sessão online procurou analisar o valor acrescentado aos negócios que as grandes fusões e aquisições (F&A) aportam, não obstante o destaque dado pelo media aos valores elevados envolvidos. Consta que “a taxa de insucesso nas fusões e aquisições é superior a 70 %, mas essa realidade fica na sombra, escondida pelo burburinho mediático do processo de fusão. Sucedem-se a turbulência, as demissões de gestores e de membros do Board.” E não é um fenómeno aleatório. A investigação do Prof. Nuno Fernandes aborda casos de Fusões e Aquisições em variados setores e entre empresas de dimensão diversa. A tendência pende invariavelmente em detrimento do acionista.


O impacto económico da crise do COVID-19 ainda não é totalmente conhecido pelas empresas. Segundo o orador “algumas receberam balões de oxigénio através de programas governamentais de apoio, temporários; outras perderam as suas reservas de caixa. Parece claro que mais e mais empresas ficarão financeiramente stressadas assim que todos os efeitos da recessão pandémica se manifestarem.”

Nuno Fernandes observou em que medida as empresas poderão aproveitar “as oportunidades únicas surgidas para consolidarem as suas posições e aumentarem a sua eficiência.” A aquisição de novas capacidades, de novas tecnologias e de produtos complementares são também possibilidades de valorização da posição da companhia no mercado. O orador resumiu as 5 regras propostas no seu mais recente livro: “The Value Killers: How Mergers and Acquisitions Cost Companies Billions – And How to Prevent It”, para inverter a tendência de insucesso das F&A.


À exposição remota de Nuno Fernandes, seguiu-se um momento de perguntas colocadas pelos participantes. Entre outros assuntos, foi abordada a baixa taxa de Fusões e Aquisições no tecido empresarial português, o que deu a oportunidade ao Professor de se referir à sua “Teoria da Pizza”: o empresário português típico prefere uma pequena pizza totalmente sob o seu controlo, a poder “comer” apenas 50 % duma pizza muito maior.