Das Smart Cities à governance inteligente

28/10/2021

Como é que as cidades estão a corresponder aos desafios globais e quais as vantagens das cidades inteligentes? Pascual Berrone, Professor de gestão estratégica e detentor da Schneider Electric Chair of Sustainability and Business Strategy no IESE Business School, foi o convidado do Agrupamento de Alumni da AESE para a sessão “From Smart Cities to Smart Governance”. A conferência que se realizou a 28 de outubro de 2021, pôs em perspetiva os contributos que a inteligência artificial e a sustentabilidade podem aportar aos centros urbanos.

“Vivemos num mundo urbano. Esta é uma mega tendência” que, para o Professor não se deve subestimar e que “altera a forma como fazemos as coisas”. Se 56 % da população mundial vive atualmente nas cidades, estima-se que, em 2030, serão 2/3 e, em 2050, o número ascenderá a mais de 70 %. Este crescimento verificou-se de forma exponencial. “Em 1950, existiam apenas 2 megacidades – com mais de 10 milhões de habitantes – Tóquio e Nova Iorque. Hoje temos 19 com características similares e espera-se que em 2030 venham a ser 29.”


Prós e contras de um mundo urbano
Esta visão acarreta vantagens e prejuízos, segundo o Professor de Estratégia do IESE. “O processo de urbanização contribuiu significativamente para promover a criação de riqueza, tornando as cidades motores de crescimento empresarial e industrial”, onde a inovação e a criatividade são favorecidos.


Em contrapartida, as cidades concentram níveis elevados de poluição e de consumo energético, onde a desigualdade e a imigração são questões sociais que geram tensão, intensificando o fosso entre muito ricos e muito pobres.


Pascual Berrone discorreu sobre as virtudes da inteligência artificial nas cidades, aplicada à gestão integrada e otimizada dos recursos, à melhoria da segurança e da mobilidade e à qualidade dos serviços. Porém, o Professor não descurou os desafios colocados a nível dos erros de interpretação de dados e do respeito pela privacidade dos cidadãos.


Smart cities reclamam por smart governances
Uma “smart governance” dos centros urbanos, para Pasquale Berrone, “consiste numa boa governança”, que não se esgota no investimento em tecnologia. Incide na combinação das melhores soluções tecnológicas e das competências necessárias para a melhoria da qualidade de vida dos habitantes, do ponto de vista económico, de capital humano, de planeamento urbanístico, de mobilidade e de transporte. Pensar e governar “smart” é uma estratégia que visa evidenciar os pontos fortes de uma cidade e resolver outros diagnosticados como fragilidades.

“No meu entender”, refere o Professor de Estratégia do IESE, “a colaboração entre o setor público e privado é essencial para transformar verdadeiramente as cidades”, debelando problemas crassos como “a pobreza, a sustentabilidade, a poluição e a mobilidade”.


À exposição do Professor Pasquale Berrone, seguiu-se o habitual debate com os participantes na sessão.


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