Ética e governance: duas faces da moeda da liderança

26/09/2022

“Cultura de empresa, ética e boa governance” foi o tema da sessão sobre Pessoas, do Alumni Learning Program, que inaugurou o ano letivo 2022/2023. O convidado foi João Talone. A sessão realizou-se a 26 de setembro de 2022, no auditório da AESE, em Lisboa.


O orador apresentou a sua perspetiva sobre ser ético, numa Sociedade Exponencial, onde a Tecnologia, Organização do Trabalho e a Governance colocam sérios desafios à liderança.

“A ética caiu hoje no campo do politicamente correto. Basta ir by the book e já somos éticos; independentemente daquilo que façamos. O pior é estarmos convencidos de que somos éticos.” Talone mostrou-se veementemente “contra a ética da forma versus a ética da substância”. E explicou: “a ética da forma está a matar a ética da substância, porque as pessoas convencem-se de que ao cumprir a ética da forma estão a cumprir a ética da substância”. A performance das empresas em função dos rankings enviesa a natureza ética de uma organização. “A ética são comportamentos.” “O problema da ética é nos casos de zonas cinzentas, em que estamos na fronteira, em que temos de tomar uma decisão e precisamos de ajuda. É nos momentos em que estamos sozinhos que precisamos de alguns princípios e de pessoas que nos possam orientar.”

“O conhecimento passou a ser muito mais incompleto e assimétrico” da atualidade e das variáveis que impactam hoje e influenciarão amanhã o nosso dia a dia”. Para o convidado, este facto não provem da escolaridade, mas dos quadros de referência individuais. Perante uma situação pode haver decisões distintas e ambas percecionadas como éticas. As consequências podem ser profundas sem que as consequências sejam totalmente equacionadas. “As decisões têm de ser muito mais rápidas”, “temos de ter acesso a informação de forma mais agregada” e a turbulência em que vivemos pode escamotear atitudes menos éticas.”

João Talone sintetizou as regras de ouro da Governance: simplicidade no desenho, clareza na responsabilidade de cada órgão, accountability, checks & balancing, perfil individual e coletivo das pessoas que governam, evidenciar a teoria de agência, o alinhamento de interesses e ter sempre a análise de risco associada às decisões.

João Talone rematou a intervenção com a máxima de que “os líderes servem para liderar e não para ter um plano de carreira individual”.


No final do encontro, houve lugar para que os Alumni presentes colocassem as suas dúvidas e partilhassem as suas experiências pessoais com João Talone.



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