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Recuperação e Resiliência para a Saúde

20/04/2021

A AESE Business School, em parceria com a Siemens Healthineers, organizou, no dia 20 de abril, uma sessão sobre “O Futuro da Saúde em Portugal”. Nesta sessão, partiu-se da estratégia para o Plano de Recuperação Económica 2020-2030, da autoria do Professor António Costa e Silva, para um debate no qual se analisou o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para a saúde. Participaram ainda no debate o Professor Manuel Rodrigues, Lecturer em Finanças no King´s College London e Professor da AESE, e o Professor Eurico Castro Alves, Presidente da Convenção Nacional de Saúde.


Na sessão de abertura, o Professor José Fonseca Pires, da AESE, lançou o desafio de ambicionarmos não a resiliência, mas a “anti-fragilidade – capacidade do sistema recuperar ficando mais forte e melhor. O Dr. Ivan França, Diretor Geral da Siemens Healthineers, colocou o desafio de se dinamizarem parcerias para a inovação a médio-longo prazo.


Segundo o Professor António Costa e Silva, a área das ciências da saúde é um dos eixos mais indicados para protagonizar o salto que o país necessita ao nível das suas competências institucionais, das políticas públicas, marketing, design e da internacionalização das cadeias de valor, de forma a alavancar as competências funcionais que já temos. Referiu ainda ser possível e fundamental criar em Portugal um cluster de biotecnologia: “Nós temos no país competências em áreas diversificadas, desde a síntese química fina, na área da criação das substâncias ativas do medicamento, na área da fertilização industrial, na área dos biofármacos, dispositivos médicos, entre outros.” Referiu ainda ser “muito importante apostar em recursos humanos qualificados, continuar a qualificar pessoas e ter as políticas de desenvolvimento tecnológico adequados e fontes de financiamento diversificadas.”

 


No debate, moderado pelo Professor Rui Mesquita da AESE, o Professor Manuel Rodrigues considerou que “o PRR contém uma alocação racional dos recursos, exigência e boa distribuição orçamental.” A verba alocada à saúde ronda os 10 % do orçamento total do PRR, o que está alinhado com a percentagem do orçamento da saúde no orçamento de estado.”

 


Segundo o Professor Eurico Castro Alves, a reforma dos cuidados de saúde primários é uma das mais urgentes e importante. A rede de cuidados de saúde primários tem que ser reestruturada e repensada em termos estratégicos: chamar os cidadãos a dar contributos para esta reorganização, aumentar o funcionamento em rede, envolver as autarquias e hospitais mais integrados com os cuidados de saúde primários. É importante centrar o sistema no cidadão, dando-lhe informação, formação e liberdade de escolha.

 


O Professor António Costa e Silva reforçou que “investir em Saúde é investir no futuro, é investir nas pessoas e na capacidade das pessoas terem uma economia produtiva“.

 


Perante a questão relativamente à operacionalização do investimento que será disponibilizado ao abrigo do PRR, o Professor Manuel Rodrigues considera que “teremos capacidade de execução do investimento, nomeadamente porque será executado pelo estado e por isso mais fácil de executar do que os fundos estruturais mais morosos.”

 


De seguida, o Professor Eurico Castro Alves referiu que “a transição digital na saúde é muito relevante, nomeadamente para fazer face aos desafios de comunicação entre as instituições, entre as instituições e os doentes e de armazenamento da informação. Será ainda importante para sustentar a complementaridade entre o setor público, privado e social.”

 

Relacionado com este tema, o Professor Manuel Rodrigues falou na “necessidade de  avançar na reforma em curso ao nível das finanças públicas, de forma a termos sistemas com informação, que permitam um controlo consolidado da despesa em tempo real, necessitando assim de recorrer menos a mecanismos de controlo como as cativações”, o que muitas vezes leva a perceção de falta de autonomia, nomeadamente ao nível dos hospitais.

 


Na sua última intervenção o Professor Eurico Castro Alves referiu que “temos que aproveitar ao máximo toda a capacidade instalada no nosso país. Há a necessidade urgente de desenvolver competências de gestão e liderança dos gestores intermédios na saúde”. Referiu ainda que “É tempo de aproveitarmos esta oportunidade para revermos a carta hospitalar. É tempo de pensar em orçamentos plurianuais, de ter orçamentos a 5 e 10 anos.”

 


Finalmente, como conclusão, o Professor António Costa e Silva reforçou que “a saúde é um tema consensual no país, a digitalização abre espaço para sermos mais eficientes, sendo que  para isso é necessário desenvolver competências na área das ciências dos dados e da inteligência artificial”. Isto contribuirá certamente para a melhor gestão e melhor eficácia de todo o sistema.