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Lições de Peter Drucker para líderes do futuro

21/04/2022

A 21 de abril, dia dos Alumni AESE, o Agrupamento celebrou Peter Drucker e o seu legado como pai da Gestão moderna. A este pretexto organizou em parceria com a Drucker School of Management, um evento sobre “Whats’s next?”, reunindo oradores de vários setores da economia e da área do conhecimento. “A única coisa que conseguimos antecipar sobre o futuro é que seremos diferentes. Num mundo que se define pela constante mudança e inovação, como seremos capazes de gerir o que vem a seguir?” Peter Drucker defende que “a melhor maneira de predizer o futuro é criá-lo.”


O encontro que reuniu Alumni e Professores da AESE Business School e da The Peter F. Drucker & Masatoshi Ito Graduate School of Management juntaram num mesmo debate gestores e executivos americanos e europeus numa conferência remota sobre os princípios capitais de Drucker e a sua aplicabilidade ao mundo organizacional e corporativo presente.


As boas-vindas couberam a David Sprott, Dean’s Office, Drucker School of Management, e à Prof. Maria de Fátima Carioca, Dean da AESE, que sublinhou a importância de uma liderança para conduzir negócios e equipas, pela excelência e integridade, com espírito de serviço e uma visão global.


Criando uma sociedade eficiente
A relevância do pensamento orientador de Peter Drucker torna-se relevante e estrutural na atualidade porque, como referiu Bernard Jaworski, Drucker Chair in Management and the Liberal Arts da Drucker School of Management, há que avaliar “o que é uma sociedade que funciona, qual é a responsabilidade das organizações e o que defende Drucker como o pensamento que alicerça uma instituição bem-sucedida e responsável, propiciadora a uma sociedade mais eficiente.”

A consciência de uma missão e a definição de uma estratégia ajustada à disponibilidade dos recursos alocados, terão um impacto a nível do marketing, inovação e abandono que produzem uma performance económica, assentes num posicionamento responsável, no foco no cliente, na gestão da sustentabilidade e na mudança e a assunção de que as pessoas são a única fonte de vantagem competitiva.


Porque é que a empresa Konica Minolta tem-se mantido nas Top 100 empresas de sucesso, num setor tão suscetível como o tecnológico, foi a pergunta à qual Vasco Falcão, General Manager of Konica Minolta Portugal and Spain na Konica Minolta e Alumnus do Executive MBA AESE, procurou responder. “Seguindo um ranking de eficiência organizacional” como medir o sucesso? Inovação faz parte dos core values da empresa. A história corporativa fê-los aprender que não existem más ideias. Por vezes pode faltar o sentido de oportunidade e resolver-se com uma questão de tempo. Continuar a manter o employment engagement e a satisfação do Customer experience é o desafio constante.


Allyson Stewart-Allen, reputada formadora, consultora, autora, oradora e Diretor não executivo, abrodou o tema aludindo ao facto de que “o propósito de uma empresa é criar um cliente”, segundo Drucker. Para isso uma organização tem de se manter relevante. A confiança é a grande questão da liderança. A relevância reflete-se na comunicação, na inovação de acordo com as expectativas do mercado, tendo atualmente mais a ver com a humanização do serviço do que com respostas tecnológicas. As tendências pedem uma liderança mais transparência na relação, boa cidadania empresarial, delegação, responsabilidade e intencionalidade no negócio.


O debate seguiu-se com perguntas colocadas pela audiência e moderadas pelo Prof. Jorge Ribeirinho Machado, da AESE, nomeadamente no que se refere aos profissionais do conhecimento que hoje detêm o poder sobre as organizações, tal como preconizado por Drucker.


Eficiência na Gestão: as lições de liderança a aprender com Peter Drucker
Esta discussão foi animada por Katharina Pick, academic director e clinical associate professor de Organizational behavior na The Drucker School of Management, ao gerir as intervenções dos restantes convidados: Jorge Sá, especialista em Peter Drucker e Philip Kotlerda Drucker School of Management, Nuria Chinchilla, Professora de Managing People in Organizations no IESE Business School, e Ana Paula Carvalho, Regional President of Inflammation & Immunology (I&I) for International Developed Markets (IDM) na Pfizer e Alumna do PADIS da AESE.


Recuperando a máxima de que a mudança é a maior certeza de que o ser humano dispõe, Jorge Sá refletiu sobre o papel do marketing e da inovação estratégica para satisfação dos clientes e na antecipação das tendências do mercado: “um líder terá de questionar com frequência o que deverá ser abandonado hoje para que o amanhã aconteça”.


“O planeamento a longo-prazo não consiste em pensar em decisões futuras, mas no futuro das decisões.” Pegando neste ensinamento de Peter Drucker, Nuria Chinchilla, Professora de Managing People in Organizations no IESE Business School, começou por caracterizar o novo paradigma vigente, cujos pilares sustentam a vida familiar, profissional e social de qualquer dirigente ou executivo. A fim de se ser bem sucedido, Nuria Chinchilla sistematizou um modelo que assenta numa missão clara, nos papéis a desempenhar, nos objetivos e tarefas urgentes e passíveis de delegar. Considerando a investigação desenvolvida ao longo da sua carreira, a Professora do IESE consegue balizar os períodos de tempo em que um individuo está mais sujeito a “turbulências na vida”, que se traduem num grau de incerteza mais significativo. Entre as competências e as atitudes joga-se, no seu entender, a capacidade de aproveitar as oportunidades. A gestão de si próprio, o autoconhecimento e a liderança de si mesmo são fundamentais para o êxito.


Ana Paula Carvalho, Regional President of Inflammation & Immunology (I&I) for International Developed Markets (IDM) na Pfizer e Alumna do PADIS da AESE, partiu da premissa de que “a nossa missão na vida é deixar uma marca positiva”. Fazendo uma analogia entre as palavras de Drucker e a sua experiência de liderança, este posicionamento é idêntico, na medida em que a sua postura começou a revelar-se assim desde criança, revelando-se no serviço aos outros. Hoje, a sua missão passa por “falar em nome, em particular dos doentes que podem ser subestimados ou estigmatizados”. “Acredito firmemente que o “porquê” é muito maior do que “aquilo” que fazemos”.


A estas intervenções seguiu-se um novo período de perguntas e respostas, colocadas pelos participantes online aos oradores no último painel.

Em jeito de conclusão, David Sprott, Dean’s Office, da Drucker School of Management, e Maria de Fátima Carioca, Dean of AESE Business School encerraram a ordem de trabalhos, salientando que haverá certamente espaço para novas parcerias entre as Escolas, num futuro próximo.



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