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Miguel Maya

Miguel Maya, CEO do Millenniumbcp

Alumnus do PADE

Miguel Maya, atual CEO do Millenniumbcp, encara a sua função como um estado, para qual deve prestar provas diárias da sua capacidade. Alumnus do PADE – Programa de Alta Direção de Empresas, encara a exigência consigo e com os outros um caminho para encontrar a melhor versão de si e das pessoas que o rodeiam, ciente da responsabilidade do impacto da sua atuação.

Quais os principais marcos na sua trajetória profissional, que contribuíram para chegar à posição de Presidente da Comissão Executiva do Millenniumbcp?
Começo por salientar que em nenhum momento da minha carreira defini como meta vir a desempenhar a função de CEO. A minha aspiração era ser empresário. Aceitei o convite para trabalhar na Banca porque percecionei que essa experiência me iria valorizar. Acabei por me entusiasmar e tive a sorte, mais do que sorte tive mestres, colegas, trabalhadores, diretores e administradores, que me fizeram sentir que o meu contributo para o Banco era relevante e, simultaneamente, percecionar que me valorizava ao serviço do BCP.
A diversidade de experiências que fui tendo ao longo da carreira, desde as áreas de avaliação de risco às áreas comerciais, a par do entusiasmo que procuro colocar em tudo o que faço, das competências relacionais que desenvolvi, da paixão pela inovação e do gosto genuíno em trabalhar em Equipa acabaram por ser determinantes do meu percurso profissional.
Mas deixem-me destacar que CEO não é um ponto de chegada, não se é CEO, está-se CEO, é uma função em que todos os dias temos que demonstrar que estamos preparados e que a merecemos desempenhar.

Quais foram as suas principais conquistas?
As principais conquistas foram sempre coletivas. Foram inúmeros os momentos em que senti o sabor da vitoria ao longo da minha carreira; de pequenos detalhes em que a superação me deu enorme gosto a temas mais estruturais que tiveram impacto relevante na vida do Banco e de múltiplas pessoas.
Salientaria contudo alguns aspetos mais presentes, por recentes, dos quais tenho especial orgulho em ter participado: (i) a forma como o BCP consegui proteger as pessoas e manter a capacidade operacional ao longo destes tempos de pandemia; (ii) a adaptação do Banco ao contexto em que o mobile assumiu enorme relevância no relacionamento com os Clientes, matéria em que o Banco se destaca face aos principais concorrentes e compete sem complexos com os novos operadores; (iii) o termos sido capazes de devolver a ajuda que recebemos do Estado, retornando aos contribuintes os 3 mil milhões que recebemos e pagando mais cerca de mil milhões em juros e comissões; (iv) o contributo que o BCP está a dar para a recuperação da economia portuguesa; (v) o ter, e este ultimo é mais pessoal, conseguido congregar em torno de um projeto uma equipa de pessoas extraordinárias.

Quais as principais lições que o tornam o dirigente que é hoje?
Tenho sempre muita dificuldade em fazer uma síntese dos ensinamentos que recebi, pois foram tantos, tão diversos e tão contextualizados que tornam essa síntese um exercício impossível de ser bem conseguido. Escolher apenas um torna tudo mais simples: ter consciência das minhas limitações, confiança nas minhas capacidades e saber que o nosso potencial só se realiza na partilha; na partilha dos sonhos, na partilha do caminho, na partilha dos sucessos que alcançamos.

Quais os valores pelos quais se rege e que transmite às suas equipas?
Os valores em torno dos quais procuro estruturar a minha personalidade, quer na vida pessoal quer na vida profissional são múltiplos e relativamente simples de referenciar: Respeito; Confiança; Credibilidade; Ambição; Trabalho; Rigor; Exigência; Tolerância; Liberdade; Justiça; Diversidade; Disponibilidade; Generosidade (podia continuar…).
Procuro permanentemente alcançar uma versão melhor, mais densa, de mim e das pessoas com quem partilho os caminhos que prossigo. Sou exigente comigo e com aqueles que trabalham comigo, pois tenho consciência da responsabilidade que temos de influenciar a vida de milhares de pessoas. Essa exigência é um fator que dá confiança, pois todos nós sabemos que as pessoas mais relevantes nas nossas vidas foram sempre as que nos exigiram esforço, resiliência e capacidade de superação. Obviamente não só aprecio como valorizo que as pessoas sejam muito exigentes comigo.

Se pudesse recuar no tempo, o que faria diferente?
Não concebo recuar no tempo, a minha atenção é sempre colocada na utilização que faço do tempo. Tomo o tempo como um bem escasso, sem geometria variável e de tara perdida. Mas volto frequentemente ao passado para aprofundar os ensinamentos, nunca numa perspetiva de me transportar para um presente ou um futuro imaginário. Seguramente procuraria exigir ainda mais de mim, mais intensidade, em tudo o que fizesse, fosse lá o que fosse.


Profissionalmente, como se vê daqui a 5 anos?
Dentro de cinco anos o mundo estará ainda mais fascinante. Vejo-me irrequieto, a empreender, a fazer coisas com impacto positivo para as pessoas, a desenvolver iniciativas que me entusiasmem e me densifiquem quer na vida profissional quer na vida pessoal (não concebo uma sem a outra). Vejo-me seguramente no plural, partilhando o caminho com gente fascinante com quem terei ainda muito para aprender e partilhar. Procuro e tenho a sorte de encontrar com frequência a felicidade no que faço.

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