Orçamento de Estado 2022: um debate sobre a melhoria da competitividade portuguesa

27/10/2021

A AESE recebeu  o Debate sobre o Orçamento de Estado 2022, promovido pelo Forum para a Competitividade, a 27 de outubro de 2021.


O Seminário “Orçamento do Estado”, organizado anualmente pelo Forum para Competitividade, visou abordar os principais desafios para 2022. Pedro Ferraz da Costa, Presidente do Forum para a Competitividade, inaugurou a sessão de trabalhos manifestando que “o chumbo do orçamento e a realização de eleições antecipadas é um motivo de esperança”, dado que considera ser “a pior proposta dos últimos 20 anos”.


“O Governo perdeu completamente a noção da realidade” ao estabelecer uma aliança com o PCP e o BE, favorecendo medidas que interferem com a competitividade das empresas, a exemplo do sucedido com a Grécia no PRR.


Uma pandemia tão democrátrica como assimétirica
Paulo Portas, na qualidade de Keynote Speaker, percorreu as tendências geopolíticas e geoeconómicas, num contexto pós pandémico. Na sua opinião, as economias europeias em geral só alcançará a recuperação depois de 2022, na medida em que “não é possível falar de uma pandemia simétrica, quando há diferenças de três anos”, na capacidade estratégica de reação


A mesa redonda
Após a apresentação de Paulo Portas, António Costa, partner do Kaizen Institute Western Europe, António Nogueira Leite, vice-presidente do Forum para a Competitividade, Carlos Lobo, Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais de XVII Governo Constitucional, José Miguel Júdice, Professor Universitário, e Paulo Núncio, Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais de XIX Governo Constitucional, debateram o tema das finanças públicas e da sua recuperação económica. As intervenções foram moderadas por Luís Pais Antunes, vogal do conselho diretivo do Fórum para a Competitividade.


António Nogueira Leite, vice-presidente do Forum para a Competitividade, criticou o sistema da segurança social de transferência, na medida em que os portugueses “dependem da relação entre os que estão a trabalhar e os que estão aposentados”. Argumentou porque considera que o sistema de saúde em Portugal não tem solução, tendo-se vindo a degradar ao longo dos anos.


Paulo Núncio, Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais de XIX Governo Constitucional, pronunciou-se sobre o aumento da divida pública, e mostrou porque acredita que se deve ter como prioridade retomar o acordo do IRC estabelecido em 2014: “se esse acordo tivesse seguido em Portugal, não tínhamos conseguido alcançar França, que era o país com a taxa mais elevada”.


António Costa, partner do Kaizen Institute Western Europe, sublinhou “o défice de pensamento estratégico e de execução”, ao passo que José Miguel Júdice, professor universitário, propôs a criação de uma “base social de apoio” para que se consigam “resolver os problemas do país”.


Carlos Lobo, Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais de XVII Governo Constitucional, considerou que o chumbo do documento é “um espetáculo de politiquice aguda, principalmente do lado da esquerda”.


O Prof. José Ramalho Fontes, Presidente da AESE Business School, encerrou o encontro, coincidindo o momento com o facto da proposta do Governo ter sido chumbada na Assembleia da República.
Na sua intervenção, o Professor referiu que na relação entre os EUA e a China “não estamos numa nova guerra fria, porque as relações económicas entre estes dois países são muito mais complexas que no caso da União Soviética, a cooperação nos problemas mundiais – clima, saúde, etc. – mais necessária, sem prejuízo do confronto na fronteira da tecnologia… e do Mar da China e de Taiwan! É uma Paz Fria (Freed Zakaria) ou um Longo Jogo (Rush Doshi).”
Portugal ocupa uma posição privilegiada no seu entender, na medida em que a China tem uma presença incontornável nos setores da banca, dos seguros e da saúde, facto que não devemos subestimar. Para José Ramalho Fontes, Professor de Operações, o foco estratégico deve incidir na funcionalidade e na execução, na eficiência e na eficácia das decisões a implementar. E nesta matéria, as Business Schools têm um papel a desempenhar, dado que “mais de 75 % de gestores de topos das empresas portuguesas não têm formação adequada)”. A formação tende opera no sentido de “energizar” as equipas, apoiando o desenho das melhores estratégias.”


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