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Os contornos de uma nova guerra fria

06/05/2022


“Global Economic Outlook” foi o mote do Breakfast Seminar PADE, que teve por convidado o Prof. Pedro Videla, Diretor do Departamento de Economia e titular da Cátedra Banco Sabadell de Economias Emergentes, do IESE Business School, a 6 de maio de 2022.

O encontro conduziu os participantes com responsabilidades de Alta Direção em setores de atividade diversificados numa animada leitura da situação macroeconómica actual. “Aparentemente, regressámos aos anos 70, em duas dimensões: por um lado, do ponto de vista económico, enfrentamos agora uma nova estagflação. Por outro lado, do ponto de vista geopolítico, encontramo-nos numa “nova guerra fria”, atendendo à tensão instalada entre os EUA e a China.

Pedro Videla começou por remontar às diversas crises ocorridas desde os anos 70 – distinguindo entre aquelas que foram geradas por choques da oferta e as desencadeadas por choques da procura – até chegar à crise sentida em 2020, “a mãe de todas as recessões”! Nessa altura, a “economia esteve em coma induzido” por efeito dos “confinamentos”.


As saídas para esta estagflação não serão simples, porque os instrumentos de política monetária e de política orçamental que foram utilizados para combater as duas crises anteriores foram esgotados, e não poderão ser usados outra vez. Enfim, “não há soluções para os problemas, somente trade-offs.”


Pedro Videla debruçou-se sobre a compra de dívida soberana pelos Bancos Centrais, que atingiu o seu pico histórico em 2020, e explicou os motivos do crescimento da inflação, que, provavelmente, não será um fenómeno transitório.


O Professor fez questão de rever as contingências que existem devido à guerra iniciada pela Rússia contra à Ucrânia, no que respeita à crise energética. Lembrou as enormes dificuldades que a Alemanha está a sentir na tentativa de reduzir a sua dependência energética da Rússia. E fez notar que o impacto das actuais sanções económicas por parte da Europa é muito reduzido, porque as receitas das exportações russas de energia não têm sofrido significativamente. A seu ver, a energia nuclear ainda que seja percebida como “perigosa”, é no entanto “a fonte energética mais segura, considerando o número de mortes contabilizado por terawatt”.


Em jeito de conclusão, o convidado considera que “a qualidade de vida sentida na Europa é diferente daquela que se encontra além fronteiras”, pela positiva. Contudo, não é despiciente que “nos tornámos relaxados em relação ao futuro: somos uma sociedade envelhecida e a futura geração europeia provém de outros continentes.”


Depois da exposição do orador, foi a vez dos dirigentes empresariais presentes colocarem as suas dúvidas e aprofundarem os temas com o especialista do IESE Business School.