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Pedro Ramos

Pedro Ramos, Secretário Regional da Saúde da Secretaria da Saúde da Região Autónoma da Madeira

Alumnus do PADIS

Trazer o espírito empreendedor, humanista, o respeito e a dedicação ao doente é uma missão que Pedro Ramos chamou a si. O Secretário Regional de Saúde e Proteção Civil da Região Autónoma da Madeira é Alumnus da AESE, por ter frequentado o PADIS – Programa de Alta Direção de Instituições de Saúde, formação que reconhece ter impactado a forma como passou a exercer a liderança, perante situações em que se coloca em causa a vida do utente. Participou ativamente no combate à Covid-19, desde 2020, e mantém a convicção de que o sucesso do seu controlo depende do comportamento de todos.

Quais os principais marcos na sua trajetória profissional, que contribuíram para chegar à posição de Secretário Regional da Saúde da Secretaria da Saúde da Região Autónoma da Madeira?
Olá a todos os ALUMNI da AESE.

E com prazer que participo neste desafio que me propõem de contribuir para um histórico do qual faço parte e que teve grande influência na minha vida. Na altura em 2013, a oportunidade que tive de realizar o PADIS teve influência na minha atividade profissional, pois era Director do Serviço de Urgência do Hospital Dr. Nelio Mendonça. Esta formação contribuiu de forma assertiva para a liderança que se impõe num serviço onde da resposta final pode depender a vida do doente. Foi mais fácil planificar, organizar a resposta das situações agudas, crónicas e o atendimento nos SU da Região Autónoma da Madeira, envolvendo os cuidados de saúde primários e os cuidados hospitalares.

Quero salientar como principais marcos da minha atividade profissional, a motivação, o empreendedorismo, a humanização, o espírito de equipa, o respeito pelas lideranças, a dedicação, a entrega e a ambição de fazer sempre melhor, em prol da nossa população.

Naturalmente que todos estes valores a que adicionamos a vontade de formação e diferenciação, educação e treino como profissional de saúde, e depois como formador levou ao estabelecimento dentro da nossa instituição de uma relação especial com todos os profissionais da nossa instituição.

E assim foi possível a nível regional ter cargos de responsabilidade:

Diretor do Serviço de Urgência, Director Clínico, Diretor do Centro de Simulação Clínica da Madeira, Instrutor de várias formações de trauma, emergência e catástrofe, Diretor do MIDTC-Madeira International Disaster Training Centre, Membro de várias Comissões-Qualidade, Sangue, Oncologia, Membro do SEMER-Serviço de Emergência Prehospitalar da RAM, Membro da Unidade de Patologia Mamária, Assistente convidado da Universidade da Madeira-MIM; ainda a nível nacional, Coordenador do capítulo de Trauma da Sociedade Portuguesa de Cirurgia. E a nível internacional: Vice -Chair do capítulo do setor Disaster and Military Surgery do ESTES.

Julgo que toda esta dedicação na minha atividade profissional pode ter sido relevante na escolha para fazer parte do Governo da Madeira, desde 2016, com a pasta da Saúde e Proteção Civil.


Quais foram as suas principais conquistas?
A formação, a diferenciação, a educação e o treino, que trouxeram mais competência, conhecimento e saber, para o exercício da minha profissão. E ainda a amizade das pessoas, a relação institucional que estabeleci sempre no dia a dia, bem como a humanização dos serviços que guardo com saudade e que sempre me inspirou e guiou no tratamento dos doentes. O respeito dos mais velhos, os seus ensinamentos e o trabalho de equipa, onde me senti sempre envolvido, contribuíram para a formação de uma personalidade que coloquei ao dispor de todos.


Quais as principais lições que o tornam no dirigente que é hoje?
Humildade, tolerância, ética, resiliência, não virar a cara à luta, não desistir das causas e defender sempre os doentes.


Quais os valores pelos quais se rege e que transmite às suas equipas?
Ética, Humanização, Competência, Capacidade de Decisão, Liderança, Espírito de Equipa, Capacidade de Resolução de Conflitos, Empowerment, Coaching e Mentoring e Capacidade de Medição de Resultados.


Se pudesse recuar no tempo, o que faria diferente?
Voltaria a fazer o mesmo, mas com a experiência adquirida, mais e melhor, e gostaria que o Código de Contratos Públicos, fosse diferente, que a celeridade na contratação pública estivesse ao nível das necessidades dos utentes no SNS e SRS.


Profissionalmente, como se vê daqui a 5 anos?
Pessoalmente gostaria de me ver com saúde e com profissionais mais competentes no SRS da RAM, sinal de que a qualidade da nossa prestação mantem os princípios da excelência, segurança e qualidade e que a minha equipa conseguiu transmitir valores e princípios importantes que se refletem no outcome dos nossos doentes.


Sobre a Covid-19…
Dada a possibilidade de podermos acrescentar um tema a este desafio, gostaria de falar da COVID-19  e da sua abordagem regional da nossa responsabilidade. Esta pandemia na Madeira teve antecipadamente preparada a sua resposta, logo a 27 de janeiro com a criação da linha de emergência e, posteriormente, a 3 de fevereiro com a apresentação do Plano de resposta na RAM, no âmbito da Proteção Civil.

Depois o isolamento precoce da ilha com controlo a nível dos portos, marinas e aeroportos e ainda com a proteção dos profissionais de saúde e populações vulneráveis.

De salientar o recurso as medidas MNF, que foram recomendadas logo desde abril de 2020 na RAM, acompanhadas por quarentenas em unidades hoteleiras, centro de rastreios à chegada e ainda estratégias de testagem e dupla testagem nas populações de risco, bem como a reorganização do SRS, a nível dos cuidados de saúde primários e hospitalares.

Por outro lado, a testagem massiva a toda a população e a vacinação célere em 2021 são duas armas ao dispor da nossa comunidade a título gratuito, que têm contribuído para um melhor controlo da evolução da pandemia.

A pandemia ainda não acabou e o sucesso do seu controlo depende do comportamento das pessoas.

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