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AESE insight #18

8 de outubro 2020

Maria de Fátima Carioca

Dean da AESE Business School de 2014 até à data


É com grande alegria, gratidão e entusiamo que ultrapassamos o marco dos 40 anos de vida. No dia 3 de outubro de 1980, nascia a AESE. Em novembro do mesmo ano começava o 1º PADE e, ao longo dos anos, foram-se juntando os outros Programas, igualmente notáveis e distintivos no panorama da Formação de Executivos em Portugal.


Hoje nesta edição especial, escutamos os anteriores Deans que, cada um a seu modo, todos contribuíram para o que a AESE hoje é.

40 anos, 4 Deans

É com grande alegria, gratidão e entusiamo que ultrapassamos o marco dos 40 anos de vida. No dia 3 de outubro de 1980, nascia a AESE. Em novembro do mesmo ano começava o 1º PADE e, ao longo dos anos, foram-se juntando os outros Programas, igualmente notáveis e distintivos no panorama da Formação de Executivos em Portugal.


Desde então, passaram por estes programas longos e transformadores, cerca de 7500 alunos. Para muitos, a AESE é uma escola marcante, um lugar onde retornam com satisfação, uma presença ao longo da sua vida, que os acompanha no sentido de serem melhores profissionais, melhores cidadãos, melhores pessoas e que os apoia no anseio de contribuir para uma sociedade mais justa e humana. Para nós, na AESE, é o cumprimento diário da nossa missão de formar líderes a quem possamos confiar o futuro.


Durante o ano de 2020/21, celebraremos este espírito que é a alma da AESE. Começámos, no passado dia 3 de outubro, por quem de direito nos merece o primeiro e mais profundo agradecimento: os nossos fundadores e o IESE Business School.


Hoje nesta edição especial, escutamos os anteriores Deans que, cada um a seu modo, todos contribuíram para o que a AESE hoje é:


1980 a 1997 | Eugénio Viassa Monteiro


1997 a 2002 | Raul Diniz


2002 a 2014 | José Ramalho Fontes


Muito Obrigado!


Ao longo dos 40 anos, a AESE deixou uma marca indelével em muitas pessoas e na sociedade. Cabe-nos a nós, aos que a vivemos no presente, garantir que a AESE continua a ser relevante, a formar e a acompanhar líderes num mundo inimaginavelmente diferente, a contribuir para, a partir das empresas e instituições em geral, realizar o sonho fundacional. É esse o nosso compromisso para com todos os que nos legaram esta instituição extraordinária, sendo que o nosso empenho é também em inovar e fortalecer a Escola olhando aos que nos seguirão.

Eugénio Viassa Monteiro

Dean da AESE – Escola de Direcção e Negócios de 1980 a 1997

Nos primeiros anos fomos aprendendo muito da experiência e conselhos do Prof. José Luis Lucas, do Prof. J. A. Perez Lopez, do Prof. Vicent Font, entusiastas incansáveis da AESE. Pusemos o melhor das nossas capacidades, sempre na mira de ir aperfeiçoando. Muitos erros houve, mas o saldo e o que os participantes recebiam era muito apreciado e agradecido. Os Programas seguintes, a expansão geográfica e os novos modelos foram surgindo com espontaneidade, para ir ao encontro das necessidades, com base nos sucessos e, sobretudo, na recomendação a amigos  dos participantes que tinham feito algum Programa..

O entusiasmo e o pavor dos começos. A consolidação da AESE

Em 1979, o Dr. Carvalho Cardoso falou-me do projeto de uma Escola de Direção e Negócios, para apoiar dirigentes e empreendedores na reconstrução da economia portuguesa. Algo como o IESE, com provas dadas. E convidou-me para esta aventura. Aceitei-a e formámos um grupo de 7 que foi estudando os pormenores para lançar o primeiro Programa de Alta-Direção de Empresas, em Lisboa. Os primeiros seriam orientados pelo IESE. E começámos uma intensa ação de marketing e obtenção de inscrições para o Programa. Demos existência legal à AESE, no dia 3 de Outubro de 1980 e a 18 de Novembro começava a sessão inaugural do 1.º PADE, em Lisboa.


Com um folheto elaborado pelo Eng. Ramalho Fontes, enviámos a todos os amigos do grupo fundacional, com perfil para o Programa, sugerindo que cada um indicasse mais nomes, preparando-os para uma boa recetividade. A posteriori verificámos que o momento não podia ser melhor. Muitos estavam à procura de algo como o que oferecíamos e o número de inscrições selecionadas ficou em 48. Participantes de alto nível, quase todos com responsabilidades de topo. O Programa foi muito bom e o Prof. José Luis Lucas foi a peça chave como Delegado do IESE e Professor, em simultâneo.


Nos primeiros anos fomos aprendendo muito da experiência e conselhos do Prof. José Luis Lucas, do Prof. J. A. Perez Lopez, do Prof. Vicent Font, entusiastas incansáveis da AESE. Pusemos o melhor das nossas capacidades, sempre na mira de ir aperfeiçoando. Muitos erros houve, mas o saldo e o que os participantes recebiam era muito apreciado e agradecido. Os Programas seguintes, a expansão geográfica e os novos modelos foram surgindo com espontaneidade, para ir ao encontro das necessidades, com base nos sucessos e, sobretudo, na recomendação a amigos  dos participantes que tinham feito algum Programa..


A ampla base e expetativas entretanto criadas fizeram avançar: a escrita de material próprio – casos, notas técnicas, etc.-,  a constituição do nosso staff docente, com a ajuda dos colegas do IESE, uma sede material digna, etc. Era nosso anseio ter no staff bons profissionais, com Doutoramento, algo que se foi realizando; da primeira geração de Professores da AESE que deixaram marca contam-se o Eng. Carlos Parreira e o Eng. Mario Bella Pimentel.


Os primeiros passos são sempre decisivos, mas é verdade que cada tempo tem os seus desafios próprios, para pessoas à altura deles. Em retrospetiva, a AESE parece ter deixado uma marca de qualidade, na busca de soluções para os problemas da sociedade, de criar riqueza e trabalho.


Mumbai, 3 de Outubro de 2020

Raul Diniz

Dean da AESE – Escola de Direção e Negócios de 1997 a 2002


Somos uma Escola comprometida que gostaria de irradiar o espírito cristão e iluminar com a Doutrina Social da Igreja os problemas e a vida das empresas, sempre vista como comunidade de pessoas, não um agregado de indivíduos.


É sempre necessário levar à empresa uma ética positiva: fazer o que está certo. Não aspirar ao sucesso, mas à excelência.

40 anos da AESE

Não há nada mais poderoso do que uma ideia à qual chegou o seu momento», dizia Victor Hugo, e isso foi o que aconteceu com a AESE cujos 40 anos comemoramos.


Quando penso nesta Escola, acontece-me o que dizia Virgílio na boca de Dido (Eneida, IV, 23) Agnosco veteris vestigia flammae, «reconheço os vestígios dos meus primeiros entusiasmos»…


A missão (purpose, dir-se-ia hoje) sintetizei-a, há muito, com a ajuda de vários colaboradores:

  1. A AESE entende a formação dos que a frequentam como dirigida ao desenvolvimento da pessoa como um todo, para que vivam, com coerência, os seus deveres pessoais, familiares, profissionais e sociais.
  2. Esta formação integral é uma síntese holística de aspectos técnicos e éticos, baseados em valores humanistas que têm o seu fundamento na matriz cristã da cultura ocidental.
  3. A Escola proporciona uma atenção pessoal e um serviço excelente que facilitam aos participantes um adequado aproveitamento dos seus programas e uma experiência de crescimento pessoal.
  4. Este aperfeiçoamento é fonte de lideranças inspiradoras com um impacte profundo, positivo e duradouro, nas pessoas, empresas e sociedade que servem.
  5. A AESE tem o seu foco nas pessoas e no serviço, não lhe sendo alheia uma perspectiva internacional e transcultural, resultado da presença de Portugal no mundo e da sua história, que são motores privilegiados da sua expansão e de colaboração e cooperação com outras escolas.
  6. Os professores do seu claustro devem ter uma experiência profissional rica e o gosto pela docência e investigação, necessárias para o desenvolvimento da sua principal ferramenta de ensino: o método do caso.
  7. A inspiração cristã da AESE conta com o apoio espiritual e doutrinal da prelatura do Opus Dei, concretizado no serviço de capelania, compatível com a plena liberdade religiosa dos que a frequentam.


A confessionalidade da AESE não afecta minimamente a liberdade de consciência dos que a frequentam, como sabem todos os que por cá passaram e com ela colaboram.


Não é preciso fé para ter em grande apreço ideais como o respeito da pessoa, o espírito de serviço, a honradez profissional, a solidariedade com os mais fracos, a veracidade, a justiça, a protecção da natureza…


As ideias de cada um brotam num ambiente alimentado e enriquecido por diferentes perspectivas e opiniões.


Aliás o desdém pela experiência religiosa é empobrecedor e conduz a uma espiritualidade banal, de mindfulness e meditação oriental, não se querendo saber nada de uma tradição que inspirou a universidade, as misericórdias, a catedral de Notre Dame, os oratórios de Bach, a poesia de S. João da Cruz…


Caracteriza-nos a atenção pessoal e o espírito de serviço, num enquadramento amigável e dialogante, sereno e alegre, próximo e interessado. Esta atmosfera requer capacidade de escuta e generosidade.


Somos uma Escola comprometida que gostaria de irradiar o espírito cristão e iluminar com a Doutrina Social da Igreja os problemas e a vida das empresas, sempre vista como comunidade de pessoas, não um agregado de indivíduos.


É sempre necessário levar à empresa uma ética positiva: fazer o que está certo. Não aspirar ao sucesso, mas à excelência.


Este percurso está sempre em construção, in fieri. Não consente abandonos nem desânimos, afrouxamentos ou tibiezas.


É esta fidelidade à sua matriz que desejo a todos os que têm agora a AESE nas suas mãos. Fidelidade não é imobilismo, tem a plasticidade do amor. Sendo o afecto interrelacional e fundamentalmente entre pessoas, também existe em relação à pátria, a lugares e a instituições. O afecto é uma manifestação do amor e é, portanto, aplicável à AESE, com as devidas adaptações, o que disse Vasco Graça Moura num dos seus poemas:


No amor, regras que contem
Há uma só que não é vã:
Amar hoje mais do que ontem,
Mas bem menos que amanhã.

José Ramalho Fontes

Dean da AESE Business School de 2002 a 2014

À hora de olhar para trás, para os últimos 40 anos, os primeiros da mais antiga business School em Portugal, surpreendo-me pela rapidez com que passaram e por aquilo que somos, hoje, e proponho três perspetivas sobre a vida da AESE, que arranca em 3 de outubro de 1980.


Três palavras orientadoras
Três fases da AESE marcadas por três professores
Três dimensões da transformação da AESE

Três prespetivas sobre os 40 anos da AESE

À hora de olhar para trás, para os últimos 40 anos, os primeiros da mais antiga business School em Portugal, surpreendo-me pela rapidez com que passaram e por aquilo que somos, hoje, e proponho três perspetivas sobre a vida da AESE, que arranca em 3 de outubro de 1980.


Três palavras orientadoras


Embora a substância transcenda as palavras, escolho três como símbolo do que é característico na AESE.


Negócios, palavra assumida no nome da escola – escola de direção e negócios – porque pretendíamos distinguir-nos das faculdades de economia e institutos, sublinhando o valor da boa gestão de empresas privadas e públicas que se podia considerar deficiente especialmente das segundas, constituídas na sequência da mudança de regime operada no 25 de abril de 1974.


Programa, atividade diferente dos cursos de formação que se realizavam então. Os Programas, que usavam a metodologia originária de Harvard, eram, e continuam a ser, uma sequência rigorosa de espaços e tempos, procurando a perfeição do trabalho vulgar que tínhamos aprendido com Josemaria Escriva, então recentemente falecido. Era a palavra que só aparecia nos títulos dos programas core, PADE e depois PDE, etc. Seguindo Gramsci, eu recordava aos presidentes eleitos de cada programa que, nos seus discursos de encerramento, usassem apenas o nosso vocábulo.


Transformação, aquilo que acontecia nos participantes que seguiam as diferentes aulas com estudo prévio e atenção e eram impactados pelo ambiente humano singular e muito acolhedor das atividades executadas primorosamente. Fruto dessa transformação, eles recomendavam os nossos programas a colaboradores e amigos e notava-se o efeito nas suas empresas, reforçando o interesse nos novos programas, por um lado, e a rede de Alumni começou a tornar-se muito numerosa, por outro, ampliando o efeito transformador na sociedade envolvente.


Três fases da AESE marcadas por três professores


Muitos foram os professores que deixaram a sua marca de modo intenso, mas é de justiça recordar alguns que justificam uma referência concreta. Traduzindo a influência inspiradora e académica do IESE, em atividade desde 1958, destaco apenas três para manter a referência ternária que escolhi.


Começo por recordar o Prof José Luís Lucas que nos acompanhou nos primeiros 20 anos e teve como missão ajudar-nos a compreender a riqueza metodológica do programa PADE, Programa de Alta Direção de Empresas, a sua estrutura académica, o modo de desenvolvimento das sessões e enquadramento operacional, e de como se deveria implementar, conhecimento e experiência que o Eugénio Monteiro assimilou e, pode dizer-se, refinou.


Igualmente relevante foi o seu estímulo e a sua preocupação para que portugueses iniciassem a sua atividade docente no PADE, aprendendo com os professores do IESE que nos visitavam. O que se traduziu no lançamento do Eugénio Monteiro, do José Luís C Cardoso, do Manuel Dias Ferreira e do Carlos Parreira para recordar apenas aqueles que integraram a faculty durante mais anos a partir desses anos iniciais. Nos seus livros, por exemplo A Criação de Riqueza – Iniciativa, Negócio e Pessoas, AESE, Outubro de 1994, estruturaram-se conceitos e ordenaram-se ricas experiências de direção de empresas, lidos com atenção por participantes e colaboradores. Nesta mesma linha académica deve referir-se a produção de casos portugueses em que se destacam os que estiveram ligados a empresas portuguesas que se lançaram nessas datas: BCP, TVI, Transportes Luís Simões, entre outros.


O segundo Professor a evocar é o Juan António Perez-Lopez, então diretor-geral do IESE que é recordado pela discussão de casos apoiada na sua teoria das motivações, uma novidade altamente pedagógica e que todos memorizavam – e memorizam! – e que foi apresentada no livro Teoria da ação humana nas organizações (primeira edição em Rialp, 1991), assim como pela vivacidade e profundidade das discussões e, não menos, pelos cigarros que fumava com verdadeiro deleite.


A fase da AESE que corresponde à sua contribuição mais estruturante é a da preparação profunda e sistemática dos professores, que se iniciou com o desenvolvimento de um semestre académico da Universidade de Navarra, em Lisboa, que teve como resultado imediato o doutoramento do Eugénio Monteiro e do Carlos Parreira, assim como de outros nos anos seguintes. A morte do Prof Perez-Lopez (13-VII-1934 – 2-VI-1996) num acidente de automóvel, quando vinha dar aulas em Portugal, limitou a sua influência, naturalmente, mas a sua marca foi continuada pelos seus discípulos portugueses e por várias gerações de professores do IESE que nos visitam materializando a parceria institucional que nos liga desde o início.


O terceiro professor a evocar, muito recentemente falecido, o Luis Manuel Calleja, (8-VIII-1947 – 15-VII-2020) é já um docente do século XXI altamente apreciado pela paixão que colocava nas suas aulas. A fase da AESE em que a sua contribuição se desenvolveu é a da maturidade, correspondente à sede, inaugurada em outubro de 2000, em que se iniciou o MBA AESE/IESE em outubro de 2001; e onde se responsabilizou pelas disciplinas de Política de Empresa, em ligação com a herança académica do José Luís Lucas. Também nos deixou um livro de referência: Gobierno institucional. La dirección colegiada, IESE – EUNSA, 2015.


Três dimensões da transformação da AESE


As pessoas que acometeram a tarefa de fazer uma Escola de Negócios aspiraram a algo muito ambicioso que só foi possível com a colaboração de muitas dezenas de professores e profissionais que, ao longo de cada uma das jornadas, se empenharam com o seu trabalho – e as suas limitações – por conseguir uma execução primorosa dos programas. Esta primeira fase, correspondendo à época em que os programas se realizavam em hotéis, pode considerar-se como a época experiencial em que os valores se materializavam na interação da vida profissional das pessoas da escola com os participantes.


Numa segunda fase, que se iniciou com a nova sede, o impacto transformacional realiza-se adicionalmente com o edifício moderno com uma decoração familiar e requintada, desde o estacionamento até à qualidade das refeições – os pastéis de nata foram uma referência frequente –, em que o impacto transformacional se evidenciava pelo rigor amável dos calendários e da pontualidade assim como pelo material de estudo, sempre com boa disposição. Poderá dizer-se que é a fase do rigor que, naturalmente, se prolongará e já se evidencia com as oportunas medidas de manutenção.


Haverá uma terceira dimensão que é a base das anteriores e a sua raiz: o espírito do Opus Dei, que animou os três ‘engenheiros’ e que, com todas as limitações, se foi materializando naturalmente em cada jornada pela aspiração comum a fazer uma instituição que perdurasse no seu serviço à sociedade e na criação de valor em cada uma das empresas em que trabalhavam os participantes. Aliás, foi esta aspiração e sonho que justificou que o Grão Chanceler da Universidade de Navarra, atualmente mais conhecido como Beato Engenheiro Álvaro, desse luz verde à nossa colaboração com o IESE, que foi indispensável para chegarmos aonde chegamos.


Mas a AESE ainda está no começo e divisa-se, neste início de década, um horizonte extraordinário, mas muito difícil, que compete ser alcançado pelas novas gerações especialmente por aquela que reunirá os participantes dos programas que são mais jovens que a escola.


Em jeito de resumo, recordo do nº 823 do Caminho “Viste como ergueram aquele edifício de grandeza imponente? Um tijolo, e outro. Milhares. Mas um a um. E sacos de cimento, um a um. E blocos de pedra, que pouco representam na mole do conjunto. E pedaços de ferro. E operários que trabalham, dia a dia, as mesmas horas…. Viste como levantaram aquele edifício de grandeza imponente?… À força de pequenas coisas!