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AESE insight #22

5 de novembro 2020

Rui Mesquita

Professor de Fator Humano na Organização da AESE Business School e Co-Diretor do Programa Hospital Business Enhancement

A humanidade está a viver mais um momento marcante na sua história. Um momento para o qual, quando em 2050 olharmos em retrospetiva, vamos provavelmente conseguir enumerar vários fatores que o explicam. O momento que vivemos designa-se por Pandemia COVID-19 e é ao mesmo tempo um momentum – um impulso na história da humanidade.


Este momento e este momentum estão a desafiar ou acelerar as grandes tendências da humanidade.

Digitalização e Humanização em tempos de COVID-19

A globalização, que provavelmente tem acelerado a disseminação do vírus SARS-CoV-2, tem conservado as vantagens no que respeita à disseminação de informação e conhecimento, acesso a bens e serviços, entre outras. Por outro lado, a deslocação física de pessoas entre países e regiões vai ser cada vez mais refletida e ponderada. As novas formas de encontrarmos pessoas e lugares vão impregnar a nossa cultura ao mesmo tempo que voltámos a apreciar mais as pessoas e os lugares que temos por perto. No entanto, a circulação de bens e serviços continuará, embora a pandemia nos tenha alertado para a necessidade de autossuficiência em termos de bens críticos.


A digitalização foi drasticamente acelerada e tem tido claramente o seu momentum. A transformação digital que estava quase em risco de passar de moda, foi a arma secreta de empresas, de escolas, universidades e até famílias que, de um momento para o outro, se viram impossibilitadas do contacto humano regular. Nunca na história da humanidade a adoção de tecnologia foi tão rápida e abrangente. Também no setor da saúde a transição digital foi acelerada, com um aumento exponencial de consultas feitas por telemedicina, triagem realizada telefonicamente e doentes monitorizados à distância. Continua presente o grande desafio da interoperabilidade de sistemas e integração de dados, assim como a sua proteção adequada. A digitalização traz ainda consigo a grande oportunidade de aumentar eficiências, substituindo as rotinas burocráticas, amplificando a capacidade humana de análise e projeção de dados o que pode reservar espaço, tempo e dinheiro para o investimento mais racional na saúde e bem-estar de todos. Por outro lado, traz consigo o desafio da requalificação de pessoas e a proteção social adequada na transição digital.


Para surpresa de muitos, a digitalização abre outra grande oportunidade: a da humanização. Em primeiro lugar, ao permitir um contacto à distância, desnuda o risco da despersonalização e cria o vazio necessário para voltarmos a sentir necessidade de sermos o que somos: humanos. Por outro lado, ao ser uma oportunidade para aumentar a eficiência com que realizamos as nossas tarefas, cria tempo para a humanização. Na saúde, se conseguirmos substituir muitas das tarefas burocráticas hoje realizadas por profissionais de saúde através da tecnologia, estes terão mais tempo para olharem nos olhos o seu doente, perceberem os seus receios, o seu enquadramento pessoal e social e por isso, as suas verdadeiras necessidades quando a eles recorrem. Os próprios profissionais conseguirão ter certamente vidas mais equilibradas e preenchidas emocionalmente, o que terá também um impacto positivo na forma como prestam serviço aos seus doentes.


Mas a digitalização não chega! É preciso dotar os médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes operacionais, gestores, administradores e todos aqueles que trabalham no setor da saúde de novas competências e reforçar outras: liderança, trabalho em equipa, gestão de operações, digitalização e humanização. É preciso re-definir descrições de funções de acordo com o que os doentes (pessoas) necessitam e não apenas para respeitar leis ou regulamentos algumas vezes pouco atuais. É necessário ser mais exigente na seleção de candidatos a licenciaturas na área da saúde uma vez que esta, ao ser concluída, conduz diretamente a postos de trabalho na assistência às pessoas. É preciso valorizar mais a componente humana e integral da formação complementando a exigência científica e tecnológica.


Em conclusão, este momento e este momentum são uma oportunidade de fazer evoluir a humanidade concentrada nos seus valores fundamentais e ao mesmo tempo aproveitar de forma racional todos os avanços tecnológicos e científicos que a ela própria criou.

Maria João Carioca

Vogal do Conselho de Administração e da Comissão Executiva da Caixa

Pedro Rosa Ferro tem traçado um caminho entre a Economia e a Política, com um marcado percurso académico nestas duas áreas. Partilhamos a base de formação de uma Licenciatura em Economia, no seu caso na Universidade Católica e, no meu caso, na muita mais perigosamente liberal Universidade Nova… mantendo a Academia sempre por perto.

Na base de qualquer visão e prática política está sempre uma ideia e uma teoria sobre a pessoa humana

Pedro Rosa Ferro, terá talvez partilhado da consciência de Frost e escolhido tomar “the road less travelled”, doutorando-se em Ciência Política e lançando-se num percurso de reflexão no qual este livro parece cumprir uma nova e desafiante etapa.


Ao ler este Política, Ciência e Consciência, com que nos brinda, e em que logo nas primeiras páginas nos provoca com a dificuldade de “tirar uma selfie ao momento presente”, não pude deixar de pensar “estas páginas não são pop-ups”. Está cada vez mais na moda a prática do tweet, da escrita rápida, da imagem curta. Que pode ser divertida, mas não é sólida, nem dá frutos. Ao contrário, este livro é um trabalho de reflexão amadurecida. E é um trabalho de erudição, citando bibliografia recente e apropriada.


São nove capítulos-ensaios nos quais o autor discorre sobre temas da atualidade e se projeta no futuro. Os temas estão na ordem do dia e são-nos trazidos com a sagacidade política que nos recorda enunciada por Edmund Burke como capaz de “distinguir entre “os clamores e reivindicações populares que resultam da geral debilidade da nossa natureza, e aqueles que revelam a particular desordem e perturbação do nosso tempo”. Preocupa-o o Ocidente Cristão e os caminhos que têm vindo a ser tomados, preocupa-o o radicalismo, condena o relativismo, estuda e debate o liberalismo. Coloca, como já antes o vimos fazer, questões que nos convocam de forma irrecusável: depois de nos desafiar a questionar “quem deve governar?” na sua tese de doutoramento, trás agora à discussão as causas do “cansaço da democracia liberal”. Fá-lo à luz da Ética e do papel do indivíduo. Fá-lo iluminado da paixão da Fé e da crença em Deus.


Logo nas primeiras linhas afirma que “na base de qualquer visão e prática política está sempre uma ideia e uma teoria sobre a pessoa humana: sobre a sua dignidade, razão e liberdade e, de algum modo, sobre os seus fins e o seu bem, que são o alicerce último dos seus direitos e dos seus deveres”. Acrescentando “dessas questões primeiras dependem todas as outras”.


A importância da política fica-nos bem clara quando diz que é “lugar do debate, da persuasão, da negociação e do consenso, entre pessoas de igual dignidade e valor, com ideias, propósitos, interesses, bens e direitos conflituantes”. É uma bela definição de política. Mas é também um belo enquadramento do que é a Liberdade e da tolerância que lhe está subjacente e uma absoluta recusa da inevitabilidade de uma democracia liberal contemporânea que produza um tipo humano “vazio, amorfo, conformista e não particularmente interessado na sua comunidade e humanidade”


Pela afirmação dessa Liberdade passa a nossa afirmação e a recusa da imagem da decadência. Daí que frise (na página 55) que, “mais do que os inimigos de fora (…) são os inimigos de dentro que devemos enfrentar”. Daí que sublinhe a necessidade de combater a imagem de decadência que tantas vezes coletivamente transmitimos.


Pedro Rosa Ferro recorda-nos a visão bíblica do ser humano como filho e imago Dei, mas reconhece que vivemos tempos de autoflagelação. Tempos em que as objeções de fundo a um discurso sobre a verdade acentuam uma perceção externa da nossa decadência. Tempos em que o Capital Social padece de muitos dos mesmos males que tantas vezes discutimos no Capital Financeiro ou no Capital Humano – e perdoem-me as expressões mais grosseiras.


O relativismo, que o nosso autor várias vezes critica, enfraquece a coragem e erode Capital Social. Retoma aí o pensamento de Popper, que amiúde lhe serve de referência e nos alerta que “a principal doença filosófica do nosso tempo é o relativismo moral” e insta-nos com a deliciosa expressão de Curchill a ser “kind but fierce”.


Um desafio de monta, que me leva a trazer aqui uma muito recente iniciativa de estudantes da Brown University, uma das Ivy League. Creio que a situação sublinha e dá importância à argumentação de Pedro Rosa Ferro. De que se trata? Nem mais nem menos que uma iniciativa no sentido de remover do campus as réplicas das estátuas de dois imperadores romanos, Augusto e Marco Aurélio. A argumentação é rebuscada, instando-se as autoridades académicas a substituir ambas a estátuas por novas obras de arte encomendadas a artistas, locais negros ou indígenas. Parece-me curioso, e aqui duplamente preconceituoso, o uso da palavra indígena. Em todo o caso, sublinhava-se que “estes monumentos foram trazidos para o campus com o objetivo de enaltecer os ideais da “perfeita” forma branca, da civilização branca, da supremacia branca e o colonialismo, ideias que são incompatíveis com a Brown de hoje”. A verdade não é necessariamente o que é comummente aceite. O “moralismo intolerante, censório e dogmático, precisamente em nome da tolerância, da inclusão e da neutralidade moral”, para o qual nos alerta na página 77, é bem presente nos nossos dias.


Uma parte importante do que escreve é, precisamente, repito, um combate ao relativismo, nas suas várias facetas.


Pedro Rosa Ferro fala muito em política, mas poucas vezes (apenas 4, se o meu domínio das ferramentas tecnológicas me serve bem) usa a palavra ação. Tal como nunca utiliza a palavra “reflexão”. Não era necessário, de resto. Todo o livro é uma longa reflexão e contém, se não propostas diretamente enunciadas, princípios e ideias que remetem, terão de remeter, para uma ação futura ou, pelo menos, para princípios morais que enquadrem essa ação. Vejamos o que está escrito na página 100:


“Deveríamos afirmar e lutar pelos nossos valores, sem perder de vista os bens significados no governo democrático e politicamente responsável, na imprensa livre, em tribunais independentes, nos direitos pessoas, na liberdade sob a lei etc”. É uma ideia necessária, porque baliza princípios e esses princípios vão, mais tarde, ser vertidos em ações concretas.

Creio ter sido essa necessidade de afirmação que levou à escolha da imagem da capa do livro, só por si muito significativa. Trata-se de uma pintura de António Di Biagio, pintor florentino de finais do século XV [fui obrigada a fazer esta pesquisa…]. Retrata um dos triunfos do político Marco Fúrio Camilo, que viveu entre 446 e 365 antes de Cristo. Os triunfos celebravam vitórias e eram momentos de grande afirmação pessoal que afirmavam também o poderio da Cidade. Ou seja, eram uma afirmação de valores, tal como Pedro Rosa Ferro defende também que façamos, democrática e livremente. E de forma a combater a tentação autofágica da decadência.

Marco Fúrio Camilo era um político e um homem do Estado. A visão que Pedro Rosa Ferro nos apresenta não é, naturalmente, a desse Estado. Ou seja, assumo que defende os nossos valores e os nossos princípios, mas não na lógia de triunfo do militar romano. Até porque, como diz, “o Estado não pode (não consegue) e não deve ambicionar garantir o bem comum integral, mas apenas o bem comum político, parcial, restrito à ordem da liberdade, justiça e paz”.


Aos dirigentes políticos, a esses sim, pede um papel maior e recorda o enunciado de Václav Havel que os convoca a “assumir a sua quota parte de responsabilidades pelas perspetivas de longo prazo do nosso mundo (…) e imbuir as suas ações de uma dimensão espiritual (…)”.


Por todo o livro perpassa uma ideia de modéstia, de contenção, diria mesmo de probidade. Em pano de fundo, sempre presente, está Deus. Ao poder do Estado responde o ministério espiritual da Igreja, promovendo nos corações humanos a Cidade de Deus, a santidade e a salvação eterna. O autor assim pensa e assim o diz. Sem proselitismo. Não é um trabalho de missionação. Embora seja sua convicção que sem Deus não há verdade moral nem nada que seja absoluto. O papel libertador que o Cristianismo Antigo teve, conforme sublinhou o Cardeal Ratzinger, tem seguimento no que o livro defende, ao sublinhar o primado da Fé, enquanto fator de mudança, de revelação e pela influência que tem, ao iluminar e ao julgar as atividades políticas e económicas. Não exagero ao dizer que há aqui uma clara condenação da amoralidade ou da presunção, sempre falaciosa, da neutralidade.


Não é neutro, mas tampouco radical, seguramente. A forma como pensa as empresas revela ponderação e prudência. Quase no final do livro defende que a pluralidade de modelos e a diversidade institucional – empresas tradicionais, com fins lucrativos, ONG, instituições de solidariedade social, as novas formas de empreendedorismo social – talvez possam melhorar o capitalismo e o nosso mundo. Saúde-se essa clareza de pensar as coisas e de as dizer de forma direta e exposta ao debate. Para concluir, e aqui cita José Luis Lucas Tomás, “a vida empresarial é verdadeiramente um mundo de esforço e entusiasmo silenciosos, de criação, de riqueza, postos de trabalho e perspetivas profissionais, de inovação e investimento”. Esse é um aspeto que me toca de perto, na minha atividade quotidiana.


A forma descomprometida, porque livre, com que os assuntos são abordados está, também aqui, patente na crítica ao poder das megaempresas que se tornam, pelo seu poder excessivo, “perigosas para o futuro do capitalismo democrático”. Bem como na constatação que o princípio da maximização dos lucros em situação de monopólio não tem justificação económica ou social.


Que Pedro Rosa Ferro tenha participado num Congresso sobre a Morte com uma comunicação sobre “Morte e política” (e que é um dos capítulos deste livro) faz lembrar um episódio que terá ocorrido entre dois historiadores do século XX, algures no norte da Europa. Hesitando entre visitarem um museu ou uma moderna gare ferroviária, optaram por esta última. Justificaria um deles mais tarde “sou um historiador, olho o passado, mas amo a vida”. Claro está que os museus já não são vistos como túmulos. Mas interessa-me enfatizar aqui o interesse pela vida. Este livro é sobre a vida. Parte da experiência acumulada, lê o presente mas, principalmente, equaciona o futuro antes de ele existir e problematiza, em função desse mesmo futuro, as opções que no presente se tomam.


E termino como Pedro Rosa Ferro, afirmando “E isso vale a pena”.

Javier Estrada

Professor of Finance at IESE Business School

Forget the ‘experts’ and their forecasts; do not obsess with a future that neither you nor anyone else can predict; and with patience and discipline consider implementing the ten ideas below.

Low Rates? Ten Ideas to Consider

You are likely to be surprised by the current low level interest rates. And even more surprised if you have the bad habit of paying attention to the forecasts of the ‘experts,’ who for the last two years have been predicting that rates will go up. This leads to a first lesson: Financial forecasts exist only to make weather and astrological forecasts look respectable.


In any case, it is obvious that current interest rates are very low. At the beginning of this year, more than 50% of sovereign bonds were yielding less than 1%, and currently you have to pay to lend money to some countries. (Yes, you read that right.) Given this context, it is natural to worry about what to do with your savings. In this article we will discuss ten ideas, although many of them are not likely to be the ones you would like to listen or implement.

First, forget about forecasts. The evidence against our ability to predict is massive, and one of the most typical mistakes when building a portfolio is to do so based on what you believe, or someone else believes, that will happen in the future. Huge mistake.

This brings us to a second point: Build your portfolio on the basis of the variables you control and do not worry about those you do not. Focus on the assets you will include in your portfolio, how long you will keep them, and how much you will pay in fees and taxes; do not worry about the short- term return of the assets in which you invest.

Third, define the goal of your portfolio, which will lead you to ask why you are investing and for how long. An investor that does not have a goal and a holding period for his portfolio is simply shooting in the dark.

Fourth, evaluate your ability to tolerate losses, which depends on your financial situation and risk tolerance. Do not take more risk than that you are prepared to bear, or sooner or later you will bail out of your portfolio, and usually you will do it at the worst time.

Fifth, implement an asset allocation (the proportion of stocks, bonds and other assets) consistent with the two previous points; that is, with the goal of your portfolio, your holding period, and your ability to tolerate losses. A portfolio holding 80% in stocks and 20% in bonds may be very appropriate for some investors and totally inappropriate for some others; a portfolio may be very appropriate for the next 12 months and totally inappropriate for the next 20 years.

Sixth, diversify broadly within each asset class. And remember, the Spanish equity market is less than 2% of the world equity market; appropriate diversification implies also investing in the remaining 98%, which currently is easy and costs very little. A proper global diversification will lead you to invest in funds, not in individual stocks or bonds, which would render diversification extremely costly in terms of time and money.

Seventh, invest in passive products that aim to simply track the performance of broad and well-known indexes. Exchange-traded funds (ETFs) are ideally suited for this purpose and have very low fees. The evidence clearly shows that managers that aim to outperform their benchmarks rarely succeed in the long term; the only certainty is that they will charge your more than what you would pay for an ETF.

Eighth, pay very close attention to fees. No bank or fund management company (with the exception of Vanguard) will tell you this, but fees are one of the most critical determinants of performance. Remember, the more you pay for a fund, the less money you keep in your pocket. The evidence clearly shows that higher fees imply lower returns in the pocket of the investor.

Ninth, you do not need a complicated portfolio. It is difficult for an advisor to charge for advice if he recommends a simple portfolio, but the idea that what is complex is good and what is simple is bad cannot be further from the truth. You can have a perfectly appropriate portfolio for your goals with only two or three funds as long as they are broadly diversified and have low fees.
If you do not believe the previous point, pay attention to the instruction that Warren Buffett gave to the trustee of the money he will leave to his wife: Invest in just two assets, 90% in a passive product that tracks the performance of the equity market and 10% in short-term government bonds.

Tenth, rebalance your portfolio once or twice a year. In other words, having determined an appropriate portfolio for your goals, a couple of times a year make sure that it does not stray too far away from the one you started out with. If any asset has a much higher or lower weight in the portfolio than what you decided at the beginning, simply revert to the initial proportions.

In short, forget the ‘experts’ and their forecasts; do not obsess with a future that neither you nor anyone else can predict; and with patience and discipline consider implementing the ten ideas above. Paraphrasing John Bogle, the founder of Vanguard, this may not be the best strategy to manage your savings but the number of worse strategies is infinite!

Luís Miguel Martins

CFO, Manpower Group
Alumnus e co-Presidente do 18 Executive MBA AESE

Acredito que todas as pessoas que pretendem fazer ou fazem o MBA são ambiciosas e por isso aspirar a novos desafios é natural e saudável e, obter formação é sábio e um passo no caminho certo, embora não seja uma garantia e é preciso ter disso consciência.

A minha motivação para fazer o MBA foi sempre em primeiro lugar alargar horizontes, ser melhor pessoa e profissional. Naturalmente que está ligado ao desejo de novos desafios, sobretudo saindo da minha zona de conforto e de áreas onde tenho feito a minha carreira profissional.

A minha experiência MBA

Decidi falar da minha experiência MBA a partir de 4 perguntas que acredito serem comuns a muitas pessoas.


Existirá um tempo para fazer o MBA?
Durante vários anos, o MBA foi sendo um projeto adiado, por diversas questões. Quando considerei que tinha as condições mínimas disse para mim mesmo e tendo em conta os meus 42 anos na altura – «é agora ou nunca». E fui comunicando na Empresa e na família como um facto consumado o tempo em que ía estar ausente ou mais ocupado.

Encontrar colegas dos 30 aos 50 mudou a minha perspectiva. Apesar de se tratar de um executive MBA, e por definição, para pessoas com mais experiência, não contava com uma dispersão de idades tão grande, o que tornou as conversas, os trabalhos de grupo e as aulas ainda mais ricas com diferentes níveis de experiência e maturidade profissional.

Mas o mais interessante foi perceber que embora existindo um aspecto comum – valorização pessoal e profissional – cada um iria fazer “o seu” MBA independemente da idade e experiência.

As pessoas que fazem um MBA querem mudar de emprego?
…ou ascenderem a uma posição de maior responsabilidade na organização onde estão.

Acredito que todas as pessoas que pretendem fazer ou fazem o MBA são ambiciosas e por isso aspirar a novos desafios é natural e saudável e, obter formação é sábio e um passo no caminho certo, embora não seja uma garantia e é preciso ter disso consciência.

A minha motivação para fazer o MBA foi sempre em primeiro lugar alargar horizontes, ser melhor pessoa e profissional. Naturalmente que está ligado ao desejo de novos desafios, sobretudo saindo da minha zona de conforto e de áreas onde tenho feito a minha carreira profissional.

Como escolher onde fazer o MBA?
No meu caso não foi difícil. Após saber que tinha de fazer o MBA em Portugal, a escolha natural e única foi a AESE. Já antes tinha feito um programa na AESE que me alargou horizontes e me deu ferramentas, sobretudo através do método do caso, que me ajudaram no concreto das minhas tarefas e decisões.

O método do caso coloca-nos no cenário de dilemas reais e concretos e ajuda-nos a pensar de uma forma cada vez mais global sobre como abordá-los, sendo que esta reflexão é feita não de uma forma aleatória, mas tendo em conta ferramentas que podemos usar mesmo após o MBA. O facto de termos professores experientes no meio académico mas sobretudo fora dele, permite um diálogo com maior profundidade e entendimento da realidade empresarial e que vivemos diariamente.

Ao escolher o MBA é importante ver quais as ligações que as escolas têm, quer com as empresas quer com outras escolas internacionais. E no caso da AESE, sendo uma escola associada do IESE e tendo alunos de algumas das principais empresas em Portugal, é um motivo de enorme riqueza. E estas ligações são de facto efetivas, não apenas um mero instrumento de marketing.

Destaco ainda as 2 semanas internacionais em que pude participar, com duas realidades totamente distintas – Nova Iorque e Ahmedabad – mas complementares e muito ricas.

Por fim, é importante ver as áreas de estudo e como está organizado o MBA nas diversas temáticas e ofertas (coaching, procura de emprego, construção de planos de carreira, semanas internacionais, projecto final de plano de negócio,…). Existem seguramente muitas áreas comuns nos diversos MBA, mas um olhar atento à organização e à preponderância de cada um no plano de estudos diz muito sobre a visão e os valores da escola. No meu caso já tenho organizadas todas as áreas de estudo e tenho-as muito perto da minha secretária porque sei que me vão ser muito úteis.

Fazer o MBA é exigente?
Acredito que somos um só e o “eu profissional” não está dissociado do “eu pessoal”. O MBA não pertencendo a nenhum destes dois campos está em ambos, o que reforça a minha crença.

A exigência do MBA vai além do estudo e dos exames. Para os que, tal como eu e são a maioria, fazem o MBA em simultâneo com a vida familiar e a actividade profissional deparam-se constantemente com escolhas, e é fundamental ter o apoio familiar.

Além do natural cansaço que vai aumentando ao longo dos 2 anos, muitas coisas aconteceram do ponto de vista pessoal e profissional a muitos de nós, umas boas e outras desafiantes. Por isso, manter o ritmo e o entusiamo da novidade das primeiras semanas não foi fácil. Os grupos de trabalho iniciais e que se mantêm até ao final, são pilares essenciais no suporte às dificuldades, à partilha das alegrias, à manutenção da vontade e ao empenho para que ninguém fique para trás desde que queira chegar ao fim.

O MBA também se faz de convívio e celebração e, no nosso caso, os diversos jantares e convívios ao final das aulas nas tarde de sexta-feira foram um ponto de descompressão e de aproveitar conhecermo-nos num contexto mais informal.

Por fim, o MBA tal como eu o vejo é um período de tempo em que estamos em MBA, mais do que fazer o MBA.