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O futuro do trabalho remoto

28/05/2021

Estudiosa do trabalho remoto há cerca de 25 anos, Batia Mishan Wiesenfeld foi convidada pelo Agrupamento de Alumni da AESE para ser oradora numa sessão sobre o tema. O encontro online, realizado a 28 de maio de 2021, reuniu cerca de 143 dirigentes e executivos, interessados em conhecer as tendências, riscos e oportunidades tornada prática comum pelo contexto pandémico vivido nos últimos meses.


Batia Wiesenfeld, Professora na Leonard N. Stern School of Business, na New York University, iniciou a sua apresentação referindo que o teletrabalho na era pre Covid era um formato laboral muito raro e irregular. Portugal apresentava uma taxa muito reduzida de adesão e era geralmente usado em funções específicas e selecionadas de acordo com critérios particulares. O trabalho remoto era entendido como um privilégio, na medida em que era exercido por um número reduzido de pessoas, com uma formação académica especializada e auferindo uma remuneração elevada. Pautava-se por ser de baixa intensidade, de caráter excecional e predominantemente voluntário. Era maioritariamente desempenhado pelo género feminino, a fim de viabilizar os cuidados prestados a familiares. O Covid-19 alterou as regras do jogo: o teletrabalho tornou-se de alta intensidade, universal, predominantemente imposto, diverso, sendo que a alternativa era a de não trabalhar.


A Professora apresentou dados que permitem concluir que o trabalho remoto melhorou a performance registado-se uma correlação positiva entre o fator de inovação e a flexibilidade estratégica do negócio, para as empresas. A nível individual, há argumentos robustos de que o trabalho remoto aumenta a performance e a produtividade dos colaboradores, apesar de diminuir a sociabilização e a abrandar a oportunidade de progressão na carreira.


Trabalhar a partir de casa não significa claramente inovação. Há mais eficiência em termos de autonomia e de inovação modular. Contudo, o trabalho remoto boicota a inovação sistémica.


Decorrido um ano de trabalho remoto, a produtividade não foi prejudicada. Os colaboradores adapataram-se rapidamente às tecnologias, houve uma adaptação rápida ao estabelecimento de equipas de trabalho e um aumento do esforço de comunicação.


Também há registo do aumento de stress e de esgotamentos.


Por outro lado, Batia Wiesenfeld referiu a disconexão que se sente entre os líderes e os colaboradores. O Top Management manifesta preocupação com os trabalhadores, a nível das relações de confiança, de compromisso, da reformulação das políticas de trabalho e práticas de liderança.


À intervenção da convidada seguiu-se um debate concorrido, no qual as perguntas que foram sendo colocadas pelos Alumni foram respondidas pela oradora.


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