Portugal e o potencial do mercado americano de vinhos

29/11/2021

A AmCham – Câmara de Comércio Americana em Portugal, a AESE e a PwC organizaram no dia 29 de novembro, 2 eventos em parceria, com o objetivo de promover o conhecimento e estimular as relações de negócio entre os EUA e Portugal, no que toca ao setor dos vinhos.


Num primeiro momento, Karisha Kuypers, Adida para Espanha e Portugal, do Escritório de Assuntos Agrícolas da Embaixada dos Estados Unidos, em Madrid, explanou as principais responsabilidades no desenvolvimento do mercado. Desde informação de marketing intelligence, estatística e relatórios analíticos, o gabinete trata de promover o comércio alimentar e de produtos agrícolas a nível internacional, facilitando o acesso ao mercado e o conhecimento das políticas comerciais.


Após o almoço, seguiu-se um evento que reuniu vários atores do mercado dos vinhos.


O Prof. José Ramalho Fontes, Presidente da AESE e promotor da iniciativa CV3 – , mostrou o seu interesse na promoção da competitividade do ecossistema do vinho e na relevância da partilha de boas práticas que existem neste setor económico. Ao reunir diferentes interlocutores empenhados na exportação de vinhos portugueses para o mercado americano, procura-se “aumentar a competitividade dos negócios, aprendendo com eventuais erros cometidos no passado.”


O Mercado Americano de Vinhos e o potencial para Portugal

António Rodrigues, Strategy, Markets & Clients Partner da PwC, começou por apresentar os dados que a consultora tem estado a coligir num survey sobre o setor em questão. “O mercado global tem vindo a crescer 2 % e deverá crescer 9 % até 2025.” Porém, “o segmento da cerveja mantém a maior quota.” António Rodrigues fez saber que em 2020, a cerveja detinha 28 % da quota de mercado, seguindo-se as Bebidas Espirituosas com 33 %, os Vinhos com 21 % e as Sidras e outras, com 8 %. “O mercado americano de bebidas é o 2.º maior” – depois da China – e tem vindo a representar cerca de 17 % do total mundial.” Japão, Reino Unido e França são os 3 países que se lhe seguem. “O vinho tem crescido a 6 % e deverá crescer a 9 %, até 2025”, prevendo-se que “o crescimento em volume desacelere até 2025.” Nos EUA, “o vinho branco é o mais consumido e o mais importado. A Califórnia é a região que apresenta tanto o maior número de consumidores como de produtores de vinho.” Em 2020, Portugal afigurou-se como “o 8ª país de origem do vinho importado pelos Estados Unidos, 4º país europeu, atrás da Itália, França e Espanha.”


As tendências do mercado americano apontam no sentido “da preferência por produtos premium, de mudanças geracionais no consumo, de maiores preocupações com saúde e ambiente, da escolha pelo design e marketing e da consolidação do e-commerce e do D2C (direct to consumer).”  


Foi ainda apresentada uma análise swot e o impacto da perceção das importações de vinho nos EUA.



Para uma entrada com sucesso no mercado americano

April Cullom, International Marketing & Trade Services Global Bridges, da LLC, fez saber como abordar o mercado americano, com estratégias de Push (para expansão da penetração no mercado) e Pull (aumentando a procura e construindo a marca, através da promoção e comunicação).

 

Boas Práticas na exportação de vinhos para os EUA
O painel, moderado por João Geirinhas, Diretor da Revista “Grandes Escolhas”, agregou os convidados Fernando Bianchi de Aguir, desde o início envolvido no Projeto CV3, Renata Abreu, da José Maria da Fonseca Vinhos, Dirk Niepoort, dos Vinhos Niepoort e Sónia Vieira, da ViniPortugal.

Cada um partilhou o que consideram ser fatores críticos de sucesso na internacionalização do negócio e na experiência recolhida na penetração do mercado americano.

Cooperação, aposta na notoriedade da marca e aumento da perceção de qualidade dos vinhos portugueses foram estratégias de sucesso sublinhadas.