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4 universidades e 4 empresas ensinam a criar valor no ecossistema da VeV

16/12/2019, Pegões

O Projeto CV3 – Criação de Valor na Vinha e no Vinho reuniu, no passado dia 16 de dezembro, na PORVID, em Pegões, as comunidades universitária e empresarial. O objetivo consistiu na troca de impressões e no debate das relações entre si, em ordem à criação de valor e de potenciar a competitividade das empresas viticultoras, produtoras de vinho e distribuidoras.


4 universidades envolvidas com o Projeto CV3

Quatro universidades validaram a metodologia do Projeto CV3 para explicar como é que esta relação pode ser eficaz.
A UTAD – Universidade de Trás-os-Montes e Alto-Douro, parceira do CV3 desde o início, pela voz do seu Vice-Reitor, Prof. Emídio Gomes, referiu entre outras coisas mais gerais, como a redação do caso Lavradores de Feitoria, realizado no âmbito deste Projeto, lhe abriu uma nova perspetiva sobre aquela empresa inovadora, colocando em discussão académicos e dirigentes de empresas, pelo facto de apresentar os nomes e os apelidos, mas também os balanços e os stocks.


A Prof.ª Elvira Fortunato, Vice-Reitora para a Investigação da Universidade Nova de Lisboa, sublinhou como a relação com as empresas que trabalham com o seu Laboratório de Materiais tem sido altamente relevante para alcançar o sucesso bem conhecido do seu COLAB, animando as 7 dezenas de presentes a intensificar essa relação com as empresas, sobretudo estrangeiras.


As Universidades de Évora e do Algarve estiveram representadas pelos seus Professores José Rafael Marques da Silva e Margareth Bento Soares, respetiva e simultaneamente académicos e empresários. O Professor de Évora, que fez a intervenção de abertura, comparou estas duas comunidades às duas cidades de Berlim e, mostrando como a imagem do derrubar desse muro, há 30 anos, foi importante na sua vida para se associar ao seu amigo Mário para criar a start-up Agroinsider. E, trabalhando as mesmas horas, passou a estar mais stressado, mas ao mesmo tempo “mais feliz e realizado” com um novo “mestrado em letras bancárias” e a multiplicação do trabalho académico com a direção de teses de mestrado e de doutoramento.


4 empresas paradigmáticas

As quatro empresas do Ecossistema da VeV que apresentaram as suas realizações e investimentos tinham várias dimensões e provinham de diferentes regiões vinícolas do Norte a Sul de Portugal.


Margareth Soares explicou como, em colaboração com a Universidade do Algarve, a Herdade da Malhadinha Nova, no Alentejo, desenvolveu um projeto para avaliação da contribuição da produção integrada e biológica na criação de valor dos seus vinhos em ordem a serem mais caros.


O diretor de Viticultura da Symington Family Estates, Pedro Leal da Costa, apresentou esquematicamente os diferentes projetos europeus desenvolvidos em cooperação com empresas de vários países e a UTAD, que lhes permitiram iniciar a vindima mecânica no Douro, cada vez em maior extensão, acompanhando a crescente falta de mão de obra.


De fora do cluster do Vinho, mas no interior do seu ecossistema, Gonçalo Caseiro, CEO da INCM, mostrou como tinha sido possível, através da investigação deste organismo público em colaboração com a universidade, lançar um produto comercial, um selo sofisticado que assegura a autenticidade de uma garrafa com a possibilidade de controlo por parte do consumidor final, preservando das falsificações as marcas mais caras, como o Pera Manca, por exemplo, que utiliza já este selo, que é também acessível a marcas mais correntes que querem ter som de retorno dos seus consumidores.


A “jogar no seu campo”, o Enólogo Jaime Quendera, da Adega de Pegões, começou por evidenciar que esta é a adega portuguesa que tem maior volume de vendas de vinho – cerca de 20 milhões de euro, correspondentes a 15 milhões de garrafas -, desenhando os produtos para a grande distribuição com atenção aos cêntimos. Depois, contou que a entrada da Adega de Pegões no mercado dos vinhos Light, dos moscatéis e dos Rosés se revelou uma estratégia de sucesso, principalmente pelo facto de cedo se ter percebido como é que os consumidores estrangeiros aderiam a esses produtos.


Wrap up da sessão


Para resumir a sessão podemos voltar aos tópicos da intervenção de abertura que, conforme confessou o seu autor, o ajudaram a refletir nos últimos cinco anos em que usou os dois ‘chapéus’ de professor e de empresário:


Reconhecendo os diferentes tipos de inteligências predominantes cognitivas, nas universidades, e sociais, nas empresas, recomendou que no diálogo à volta dos problemas e das soluções, se procurasse equilibrar o diálogo analítico, com a conversa sintética e centrada nos resultados dos dirigentes empresariais. Pedro Leal da Costa referiu que era isso que acontecia na sua atividade na Symington.


As instituições avançam e os dirigentes não são insensíveis ao modo como são avaliados e ficou patente que os professores são pagos para ensinar, mas são avaliados pelas suas publicações, enquanto o empresário se avalia pelo volume de vendas. O Professor Marques da Silva referiu, com simplicidade, que nestes anos nunca fez tanta investigação aplicada, a pedido dos alunos, atraídos pela experiência que traz para as aulas pela criação de produto, pela venda e por ter, na sua empresa, uma única avaliação com base nas vendas.


Neste sentido, verificou-se que era necessário desenvolver, nas universidades, desde os primeiros ciclos de estudo, disciplinas de gestão e de noções de empreendedorismo, que são muito importantes para que estas transferências de conhecimento beneficiem as duas instituições, como já acontece na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, segundo informou Elvira Fortunato.


Esta referenciada e premiada investigadora fechou o painel com o que se poderá classificar como a quarta e última – mas não menos importante – recomendação: as empresas estão a utilizar pouco os doutorados formados pelo sistema universitário e estes podem ajudá-las a aproveitar os muitos milhões de euros que a Europa coloca à disposição da investigação aplicada. Naturalmente, isto pressupõe que as empresas tenham um mínimo de pessoal especializado que saiba, reforce-se, destruir o muro da incomunicação. Neste sentido, José Ramalho Fontes reiterou uma ideia de fundo do Projeto CV3, que a experiência destes anos mostrou ser muito relevante: as empresas só crescem em inovação e competitividade se tiverem balanços robustos, o que pressupõe terem uma dimensão mínima, que tem aumentado nos últimos anos e se tem traduzido por aquisições estratégicas de pequenas empresas com marcas conceituadas pelas maiores do setor, algumas delas ali presentes: Symington, no Alentejo, Esporão, no Minho, Aveleda, no Algarve, etc.


No final, o Prof Antero Martins apresentou brevemente a realidade da PORVID, um campo experimental onde se faz a prospeção integral de todas as vinhas velhas e abandonadas do país, tendo em vista a identificação de castas até aqui não reconhecidas e a ampliação do atual parque de castas autóctones, afirmando-o como o mais denso do mundo, e, também, onde se investiga a sua produtividade das castas silvestres ou correntes, num trabalho de genética quantitativa único, desde finais dos anos 70. Constata-se que este valor pode variar entre 1 e 10x a casta original.


A sessão foi encerrada pelo Prof. Emídio Gomes que agradeceu o trabalho extraordinário feito pelo Prof Antero Martins e a sua equipa e a atenção dos presentes, apesar da manhã tempestuosa. A Adega de Pegões convidou os participantes para almoçar nas suas instalações.


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